Incertezas

A negociação envolvendo Ganso, Santos e São Paulo finalmente terminou. Não há vencedores nem perdedores nessa história, mas incertezas que só o tempo poderá desfazer. A maior delas é saber qual Ganso jogará no Morumbi. Aquele que brilhou na primeira metade de 2010 e passou a ser rotulado de craque ou o dos últimos dois anos, que pouco produziu.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h06

O São Paulo faz aposta num atleta que vive de altos e baixos, sofre seguidas lesões, mas tem indiscutível talento. A tentativa é válida para um clube que tem dinheiro e vive num marasmo desde 2009, sem títulos e com participações fracas nas principais competições.

Por mais que o valor pago tenha sido expressivo, dificilmente os são-paulinos terão prejuízo. Ganso é jovem (completará 23 anos em outubro) e, mesmo que não se destaque tanto, em breve será negociado com a Europa por quantia no mínimo igual.

O meia estava insatisfeito na Vila Belmiro havia tempo, cenário que pode ter prejudicado seu futebol. Mas não podemos esquecer que ele teve boas chances na seleção e também não foi bem. Fracassou na Copa América de 2011 e saiu apagado da Olimpíada de Londres.

Seu grande momento ocorreu em 2010, quando foi protagonista, ao lado de Neymar, da conquista do Paulistão e da Copa do Brasil pelo Santos. Depois, viveu de lampejos, como na vitoriosa campanha da Libertadores de 2011, em que decidiu alguns jogos e ficou fora de outros por contusão.

Num ambiente novo, e mais motivado, o atleta pode ser importante para o São Paulo. É raro, atualmente, vermos um meia técnico e inteligente como o ex-santista. A posição é carente na equipe tricolor e na maioria dos clubes do Brasil. Caso se acerte com Luis Fabiano, pode ajudar a recolocar o clube no caminho do sucesso, perdido desde o tricampeonato brasileiro (2006, 2007 e 2008).

O torcedor são-paulino, porém, não deve se iludir. Ganso não ganha partidas sozinho como faz Neymar - aliás, o Santos sem Neymar é como a seleção argentina sem Messi. Em 2009 e 2010, muitos levantavam a questão sobre quem era o grande nome do Santos. Hoje a resposta é fácil. O atacante decolou e se tornou o número 1 do País. O meia não se transformou no gênio apontado por tanta gente.

Na pior das hipóteses, a negociação vai mexer um pouco com o clima do Morumbi, deve agitar o elenco. O São Paulo anda num período de dormência, desacostumado a grandes decisões, situação pouco comum em sua história recente. Boa parte do grupo atual parece desprovido de ambição. Se ganhar, ótimo! Se perder, tudo bem... Esse comportamento não combina com a grandeza do clube, tricampeão da Libertadores, tricampeão mundial.

Ganso está longe de ser um Pita, meia habilidoso, ídolo dos anos 80, ou Raí, astro da década de 90, mas certamente vai melhorar a qualidade do insosso meio-campo do São Paulo. Desde que sua condição física deixe de prejudicá-lo tanto.

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