Inconformado, São Paulo fala até em pedir a anulação da semifinal

Clube se sente prejudicado por causa do gás tóxico no vestiário no intervalo do jogo que classificou o Palmeiras

Daniel Akstein Batista e Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

22 de abril de 2008 | 00h00

Como aconteceu nos últimos clássicos, o jogo entre São Paulo e Palmeiras do último domingo também vai parar nos tribunais. Inconformada com o gás tóxico que infestou o vestiário do time no intervalo, a diretoria tricolor cogita até pedir a anulação da partida - vencida pelo Palmeiras por 2 a 0. "Sabemos que é difícil, mas estudamos pedir que se anule a partida", disse o advogado do São Paulo, Kalil Rocha Abdala. "Com alguma coisa nós vamos entrar." Reunião na FPF define locais da final. Confira o resultado, a partir das 11h30O Tribunal de Justiça Desportiva vai analisar o caso e, se achar que o Palmeiras teve alguma culpa, pode pedir até a interdição do Palestra Itália. "O clube que recebe o jogo tem de dar todas as condições. Se houve alguma falha, vai ter de ser responsabilizado", afirmou Antônio Carlos Meccia, procurador do TJD. "Mas ainda vamos analisar o teipe do jogo, ver imagens e ouvir algumas pessoas."Além da esfera desportiva, o caso pode ter desdobramentos cíveis e criminais, disse o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo. "Amanhã (hoje), vamos enviar um pedido à Polícia Civil para que investigue o caso", declarou. "E o São Paulo também pode entrar com ação na área cível, pedindo indenização por danos morais, materiais, etc." O São Paulo descarta a hipótese.Ontem, o São Paulo distribuiu um DVD à imprensa, com imagens do vestiário infestado por gás. Há cenas de jogadores, comissão técnica, diretoria e jornalistas tossindo muito. "Os jogadores não puderam se reidratar, não puderam descansar e não puderam ouvir instruções do técnico", declarou Turíbio Leite de Barros, fisiologista do São Paulo. "O que aconteceu domingo foi cena de guerra. Em 25 anos neste clube, já vi todo tipo de estádio, todo tipo de hostilidade, mas nada assim."O árbitro Wilson Seneme relatou o incidente na súmula, e também o fato de os jogadores terem se trocado nos corredores do Palestra após o jogo.O Palmeiras se defende e cogita a hipótese de o gás ter sido lançado por alguém do São Paulo. Vanderlei Luxemburgo levantou a suspeita logo após o clássico e, ontem, dirigentes do clube seguiram o discurso. "Seria muita burrice nossa provocar isso", disse o diretor de futebol Genaro Marino.Desconfiado do São Paulo, o Palmeiras registrou um Boletim de Ocorrência ontem e pediu uma perícia no estádio, que vai seguir hoje. "Pelos quesitos que eles (policiais) levantaram, sentimos que o gás não veio de fora (do vestiário)," acrescentou o cartola alviverde.O São Paulo rebateu. "Se eles nos acusam, é porque já devem ter feito algo semelhante. Ou já pensaram nisso", disse Turíbio. Na noite de domingo, o Tricolor já havia registrado um Boletim de Ocorrência. Ontem, o técnico Muricy Ramalho fez exames para detectar se ainda havia presença do gás no organismo.Uma reunião hoje na sede da FPF vai definir o local dos duelos das finais. O desejo de Ponte Preta e Palmeiras é de que os jogos sejam em seus estádios. Reunião na FPF define locais da final. Confira o resultado, a partir das 11h30

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