Indaiatuba sedia Mundial de Luta de Braço

Eles têm a força. Literalmente. A partir desta quinta-feira, 67 atletas do Brasil - a maioria do interior de São Paulo - disputam no Indaiatuba Clube o Campeonato Mundial de Luta de Braço nas categorias masculino, feminino e para deficientes. O objetivo do País na competição - que termina sábado e vai reunir 580 representantes de 19 países - será manter a hegemonia do feminino na competição por equipes e superar o desempenho do ano passado no masculino, quando o time ficou em terceiro lugar, atrás de Rússia e Estados Unidos.Antes da competição, o Brasil já é vencedor, pelo menos ao ignorar preconceitos. Para começar, segundo o três vezes campeão mundial na categoria acima de 105 kg - duas com o braço direito e uma com o esquerdo -, Glauco Prior, força física "é 80% do sucesso", mas o segredo da vitória está nos outros 20%: a parte mental. "Pode parecer estranho, mas é preciso pensar muito para competir", explica. Segundo Glauco Prior, pulso e braço precisam trabalhar juntos como um bloco só. "Além disso, é preciso concentração e controle da pressão psicológica, porque a competição dura entre 5 e 10 segundos e o excesso de adrenalina pode levar o atleta ao que o pessoal chama de ?amarelar? na competição."Soma-se a tudo isso uma certa dose de simulação de não haver fadiga durante a luta, o que costuma abalar psicologicamente os adversários. Hugues Jorge, técnico da seleção brasileira e o bracista mais velho do mundo em atividade - tem 78 anos e compete desde a década de 50 -, acrescenta que a força é quesito importante, mas, assim como em outros esportes, "é preciso talento". Fora isso, o fundamental é ter força de vontade para treinar sem ligar para preconceitos, como mostra Maria Aparecida Jorge, a Paquita, de 58 anos. "Quando comecei, nem existia competições para mulheres", conta.A lição foi aprendida pela estudante de Direito Cristina Bognar, aluna de Jorge e Paquita, que começou depois de ter dois filhos e já conquistou três mundiais. "No começo, meu ex-marido protestou, mas, por incrível que pareça, o maior incentivador foi meu pai, que foi atleta na Hungria antes de imigrar para o Brasil, durante a 2ª Guerra."Já para o ex-policial Francisco da Silva, o Chicão, a luta de braço foi a redenção depois de perder a visão aos 40 anos, por glaucoma, e cair em depressão. Atualmente é tricampeão mundial entre deficientes visuais "Para mim foi uma nova vida", disse o bracista, que hoje ensina em sua escola em Timó (MA).Controle - Uma novidade do Mundial deste ano serão os exames antidoping, comemorados pelos brasileiros. "Vários favoritos não estarão na competição, muito provavelmente por causa disso", disse Prior.

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