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Inferno astral dos craques de seleção: Kaká e Ganso

Jogadores vivem dias difíceis e de incertezas no Real Madrid e no Santos; futuro dos dois está indefinido

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h07

SÃO PAULO - Badalados, eles já foram donos da mítica camisa 10 da seleção brasileira, cobiçados pelos maiores clubes do mundo e símbolos de futebol (muito) bem jogado. Hoje, a realidade é bem diferente. Vivem amuados pelos cantos, sem moral nos seus clubes e com o futuro indefinido.

Kaká e Ganso enfrentam péssima fase e a perspectiva de darem a volta por cima a curto prazo não é grande. Enquanto o meia do Real Madrid entrou em rota de colisão com o técnico José Mourinho, que quer vê-lo no "terceiro mundo do futebol", o santista não se bica com o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, que não pensou duas vezes em jogá-lo contra a torcida.

O jornal espanhol El País revelou o clima bélico entre Mourinho e Kaká, que nem foi relacionado para os dois últimos jogos do Real. O diário trouxe também a reprodução de um diálogo ocorrido numa reunião entre Bosco Leite, pai e empresário do meia, Mourinho e Kaká.

"Não se dá conta de que não conto com você?", teria dito o treinador. Bosco, então, retrucou: "Se deseja que meu filho saia, pague o que deve a ele."

O clima esquentou quando Mourinho afirmou que Kaká atrapalhava o seu projeto. A resposta de Bosco foi dura: "Seu projeto e o de Jorge Mendes (empresário do treinador e de cinco jogadores do time, entre eles Cristiano Ronaldo)."

Kaká teria dito a companheiros de clube que Mourinho "é uma pessoa muito má que quer que eu vá para o terceiro mundo do futebol." Na visão do jogador, é o treinador quem está impedindo que ele seja negociado com um grande clube da Europa. A preferência de Mourinho é que o brasileiro se transfira para os Estados Unidos.

"Mourinho o trata como um inútil", disse ao El País um jogador do Real que pediu para o seu nome não ser revelado.

O Milan demonstrou interesse em contratar Kaká por empréstimo de um ano, mas, segundo o vice-presidente do clube italiano, Adriano Galliani, o Real só aceita vendê-lo em definitivo. O mesmo entrave teria ocorrido semana passada com o Manchester United.

O problema é que o Real exige 25 milhões (R$ 63,4 milhões), valor considerado altíssimo por um jogador de 30 anos e sem valor de revenda. Em 2009, o Milan vendeu Kaká para o clube merengue por 65 milhões (R$ 164,9 milhões pelo câmbio de ontem). A janela de transferências na Europa se encerra na sexta-feira.

SACO CHEIO

No Santos, a situação de Ganso também é bastante delicada. O desconforto do jogador no clube é evidente. Sábado, contra o Palmeiras, ficou claro que ele não está mais disposto a se empenhar pelo Alvinegro.

Meia hora antes do clássico, o presidente Luis Alvaro atacou o seu camisa 10 em entrevista à Rádio Bandeirantes. "Quem fala o que quer, ouve o que não quer.", disse. "Já encheu o saco."

Antes, o dirigente já havia divulgado uma nota oficial na qual criticou as declarações de Ganso de que seria "uma honra" jogar no São Paulo. Segundo Luis Alvaro, ele resolveu tomar aquela decisão por causa das cobranças que recebeu dos torcedores.

Até Muricy Ramalho parece não acreditar que o jogador voltará a ser o "maestro" da equipe. O treinador aposta todas as fichas em Neymar para reabilitar a equipe no Brasileiro. A multa rescisória de Ganso para clubes do Brasil é de R$ 53 milhões. O Grupo DIS detém 55% dos direitos econômicos do jogador e os outros 45% são do Santos. O São Paulo chegou a oferecer R$ 11 milhões referentes à parte do Alvinegro.

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