Conheça a tecnologia da 'piscina de ondas' do surfista Kelly Slater

Evento-teste atrai 18 atletas do Circuito Mundial e ocorre nesta terça em Lemoore, na Califórnia

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2017 | 07h02

Os 18 atletas da elite do surfe mundial que estarão pela primeira vez numa espécie de competição no Surf Ranch, o local onde Kelly Slater construiu sua tecnológica piscina de ondas em segredo e mantém os detalhes de funcionamento guardados a sete chaves, estão garantindo o sigilo da operação da WSL (Liga Mundial de Surfe).

Gabriel Medina, Adriano de Souza, o Minieirinho, Filipe Toledo e Silvana Lima são os brasileiros que vão experimentar as ondas em um torneio de exibição que terá juízes, pontuação, sistema de broadcast mas sem transmissão e avaliação dos dirigentes mundiais do surfe e de observadores da Comissão Organizadora dos Jogos de Tóquio, em 2020.

Todos receberam recomendações de evitar falar sobre o evento, que vinha sendo tratado com sigilo pela WSL. A intenção era fazer um teste nas “novas ondas” de Slater, evitando qualquer repercussão, sem a presença de imprensa, convidados ou fãs. “Era para ser bem pequeno, mas por causa da repercussão cresceu um pouco”, informou uma fonte da WSL.

A maior novidade é o tipo de onda que Slater conseguiu construir. Se em um primeiro momento a atração trazia apenas um tubo perfeito, depois de algumas reformas a piscina passou a oferecer mais possibilidades para os surfistas, com paredes para manobras, possibilidade de aéreos e muita diversão.

Em maio do ano passado, a WSL firmou um acordo para adquirir participação majoritária na Kelly Slater Wave Company (KSWC), a empresa criada pelo surfista para o projeto. A fim de acabar com a monotonia de um longo tubo que não muda nunca, a entidade conversou com os engenheiros e levou os profissionais para Trestles, no litoral da Califórnia.

Lá, mostrou para os especialistas como eram as paredes para manobras, onde os atletas podem fazer rasgadas, batidas e dar aéreos, entre outras coisas. Assim, os engenheiros esvaziaram totalmente a piscina e mexerem no fundo, a fim de transformar uma onda tubular monótona em uma onda viva e cheia de possibilidades.

E assim, numa relação entre a velocidade que se empurra a água com o formato do fundo da piscina, os engenheiros chegaram a ondas que começam com paredes para manobras, transformam-se em velozes tubos, depois mais paredes e por fim um último tubo. É uma onda rápida e que vai fazer a alegria dos profissionais hoje.

A competição será realizada com dez surfistas no masculino e oito no feminino. Cada um vai pegar quatro ondas e as duas melhores notas, uma para a esquerda e outra para a direita, serão computadas. Aliás, a tecnologia do “carro” que forma as ondas, que percorre um trilho ao longo da piscina, faz com que quando corre em uma direção, as ondas vão para a direita. Na volta, formam-se ondas para a esquerda. Assim, surfistas que colocam um pé ou outro na frente não são prejudicados, pois vão surfar de frente para a onda em uma direção e de costas no outro sentido.

Segundo os organizadores, todos os tipos de manobras serão valorizados pelos juízes. A ideia é apresentar depois um vídeo que será gravado hoje com os melhores momentos dos surfistas nas “ondas do futuro”.

 

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