Infraestrutura pode eliminar sedes

Fifa afirma que vai excluir ou minimizar do torneio as cidades que não atenderem a seus requisitos básicos

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O atraso nas obras de infraestrutura no Brasil é outro motivo de desconforto na Fifa. A entidade criticou ontem o governo brasileiro pelo atraso nos trabalhos e fez uma ameaça: a cidade que não contar com um sistema de transporte adequado pode ter a participação no evento minimizada ou até cancelada.

"É crucial que todos os locais que sediarão a Copa do Mundo da Fifa tenham infraestrutura adequada, que atenda aos milhares de espectadores e possibilite que eles se movimentem pela cidade para irem a um jogo. Se esse não for o caso, não poderemos sediar jogos nessas cidades", alertou o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, ao fim de reunião com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Na Fifa, uma das decisões tomadas pelos técnicos é de que a capacidade dos aeroportos e do transporte será usada como critério para definir quais jogos cada uma das cidades do País receberá na Copa de 2014. Ontem, Valcke declarou que o avanço nas obras de aeroportos, como o governo brasileiro havia prometido, não aconteceu, o que era "preocupante".

A entidade não quer a repetição dos problemas que teve na África do Sul, quando torcedores chegaram a levar até três horas para conseguir ter acesso ao Soccer City, em Johannesburgo, ou tiveram dificuldade para encontrar voos para Port Elizabeth, onde o Brasil jogou as quartas de final.

A Fifa já levou o caso ao governo, que prometeu investir R$ 5,5 bilhões. Mas a percepção na entidade é de que essas obras não estão ocorrendo e nem existem planos detalhados dos prazos.

O prometido trem-bala entre São Paulo e Rio, que fazia parte da candidatura em 2007, já desapareceu. O governo adiou por inúmeras vezes o leilão para a concessão da linha, que tem apenas uma empresa (coreana) interessada.

Despreparo. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que nove dos 13 aeroportos brasileiros não estarão prontos para o Mundial de 2014 e denunciou as falhas nos preparativos para o evento. Faz quatro anos que o Brasil foi escolhido como sede.

O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, chegou a qualificar o estudo como sendo produzido a partir de "recorte de jornais". O documento, porém, é oficial.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) também estima que o transporte aéreo será um caos no País em 2014 diante da falta de andamento das obras prometidas.

Tradução. Apesar da crítica, a Fifa modificou o tom de seu alerta no comunicado de imprensa que foi traduzido em português e divulgado no Brasil.

No texto que saiu no País, a entidade aponta que "permanecem as questões relacionadas à operação e capacidade dos aeroportos, assim como à infraestrutura de transporte, que foram tratadas com as mais altas autoridades brasileiras".

Nos textos em inglês, francês, alemão e espanhol, o tom é bem mais duro. "Segue existindo preocupação em torno das operações e capacidade dos aeroportos", diz trecho nas demais línguas. A Fifa não explicou a diferença na tradução.

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