Arnd Wiegmann/Reuters
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Inglaterra ameaça sair se a Fifa não investigar denúncia

A exigência é que a entidade tome providência sobre as acusações de compra de votos na escolha da sede de 2018

JAMIL CHADE - Correspondente, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

GENEBRA - A Inglaterra, país que se apresenta como criadora do futebol, insinua que estaria disposta até mesmo a sair da Fifa se as alegações de corrupção na entidade, e que envolveriam suspeitas em relação ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, não forem investigadas.

Nesta quarta-feira, a Fifa pediu todas as evidências aos ingleses em relação ao novo escândalo de corrupção na entidade para tomar uma decisão se abre ou não um processo.

Na terça-feira, o ex-cartola inglês, lorde David Triesman, prestou depoimento diante de uma CPI do futebol no parlamento britânico, revelando que pelo menos seis cartolas da Fifa teriam pedido dinheiro e favores em troca de apoiar Londres para sediar a Copa de 2018.

No caso de Teixeira, a alegação era de que o brasileiro teria dito a ele de que não deveria procurar apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Venha aqui e me diga o que você tem para mim", teria dito Teixeira, que não votou pela Inglaterra.

Londres acabou com apenas um voto na escolha das sedes, o que gerou a ira dos ingleses. Nesta quarta, o ministro britânico do Esporte, Hugh Robertson, declarou que a Inglaterra pensaria até mesmo em abandonar a Fifa caso a entidade não investigue as acusações de suborno. "Há um desejo de tentar, trabalhar e mudar a Fifa por dentro. Se a Fifa demonstra que é incapaz de fazer isso, então me atreveria a dizer que todas as opções são possíveis", afirmou.

O inglês quer que a Fifa siga a reforma que o Comitê Olímpico Internacional (COI) fez em sua estrutura depois da descoberta de compra de votos na escolha de Salt Lake City como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. "Espero que a Fifa se mire no exemplo do COI", disse.

Além das declarações de Triesman, o jornal Sunday Times providenciou à CPI informações de compra de votos pelo Catar, por US$ 1,5 milhão cada. O país ganhou o direito de sediar o Mundial em 2022.

Investigação. Da parte da Fifa, o presidente Joseph Blatter declarou na quarta que pediu à federação inglesa, ao parlamento e ao jornal Sunday Times as evidências dessas alegações de corrupção. Na carta, a entidade alerta sua "extrema preocupação" em relação às alegações questionando "a integridade de alguns membros do Comitê Executivo" da Fifa.

O processo, porém, poderia ter uma repercussão ambígua para Blatter. Se provado que o Catar pagou para ser escolhido, seu concorrente na eleição para a presidência da Fifa, Mohamed Bin Hammam, do Catar, teria sua candidatura enterrada. Mas o processo também mostra o grau de problemas que a entidade sofre sob o comando de Blatter.

O cartola se limitou a dizer que está "muito triste" com as novas denúncias e insistiu que precisará ver as evidências para saber se abrirá investigações. "Precisamos ter evidências. Quando as tivermos, saberemos para onde nos dirigiremos, se faremos uma investigação administrativa ou levaremos o tema ao Comitê de Ética", disse.

Na terça-feira, Teixeira emitiu um comunicado em que anunciou que vai processar Triesman. O inglês, porém, conta com "privilégios parlamentares". Pelas regras do Reino Unido, ele não pode ser alvo de processos em Londres por suas declarações durante a audiência.

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