Ingleses se revoltam e pedem uso da tecnologia

Fifa afasta, por enquanto, a possibilidade de usar elementos como chips, mas fala em usar [br]assistentes atrás dos gols

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

"Meu Deus." Foi assim que o juiz uruguaio Jorge Larrionda reagiu ontem quando, no intervalo da partida entre Alemanha e Inglaterra, viu um replay do gol que ele não deu. Mas o incidente e o erro do árbitro ao não marcar o impedimento de Tevez na partida entre Argentina e México, também ontem, reacenderam o debate e o apelo de muitos para que a Fifa permita a entrada da tecnologia no futebol.

Um dia antes de iniciar o Mundial, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, insistiu que não havia lugar para câmeras ou chips em bolas na Copa. "Um jogo sempre precisa ter um pouco de polêmica. Caso contrário, fica chato."

Jérome Valcke, secretário-geral da entidade, foi ainda mais claro. "A porta está fechada para a tecnologia." Agora, diante das novas polêmicas e das críticas, a Fifa já admite mudanças para a Copa de 2014, mas ainda resiste ao uso da tecnologia. A entidade reconhece que poderá adotar um assistente atrás de cada gol, ajudando exatamente a ver lances como o do jogo entre Alemanha e Inglaterra.

Ontem, eram os próprios jogadores ingleses que pediam a adoção de tecnologia. "Eu sou a favor da tecnologia no futebol", disse Lampard, autor do gol não- marcado pelo juiz. "É incrível como, num mundo de tecnologias em que vivemos hoje, tenhamos de aceitar um erro como esse", disse Fabio Capello, técnico italiano da seleção inglesa.

Alan Shearer, ex-capitão inglês, mandou seu recado para Blatter. "No mundo, todos querem a adoção da tecnologia no futebol. Menos uma pessoa."

No telão do estádio, o lance não foi repetido por determinação da Fifa que não quer a decisão do juiz sendo questionada em público. Mas, parada no tempo, a Fifa não consegue controlar o fato de que celulares hoje trazem vídeos de internet e mesmo transmissão de jogos ao vivo. O resultado foi uma vaia enorme da torcida, que voltou a ocorrer durante o intervalo.

A tecnologia mais promissora no futebol é o uso de chips em bolas que, com a ajuda de sensores, determinariam de forma instantânea se uma bola cruzou ou não a linha do gol. A inovação que, ironicamente, é alemã já foi testada e o sinal seria enviado diretamente ao árbitro da partida. Conhecido como "Eye Hawk" (Olhos de Águia), o artifício já é usado no críquete e no tênis.

Mas a Fifa, um mês antes do Mundial, chegou à conclusão de que os testes realizados não eram suficientes e que não havia como aceitar a adoção da nova tecnologia. A Fifa ainda testou uma bola com chip num Mundial Sub-17 há 5 anos. Mas sem sucesso.

A opção, por enquanto, está sendo a de testar o uso de "olhos adicionais" em campo. A partir de agosto, todos os jogos da Liga dos Campeões contarão com cinco árbitros. Os três tradicionais e mais dois, cada um posicionado na linha de fundo. De acordo com Jérome Valcke, essa opção pode ser o futuro da arbitragem e já seria adotada para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

"O presidente da Fifa, Joseph Blatter, já me disse que quer conversar comigo sobre formas de melhorar a arbitragem assim que o Mundial acabar", disse Valcke. "Uma das ideias é mesmo a dos cinco árbitros."

Ontem, o erro do árbitro foi acompanhado no estádio por Blatter. "Quem é que vai perguntar agora à Fifa se ela viu ou não o gol?", questionou, inconformado, Lampard. Para a delegação inglesa, um evento de US$ 3,2 bilhões não pode ser definido em lances polêmicos e falhas gritantes de arbitragem.

ERROS DE ARBITRAGEM NA ÁFRICA

Argentina 3 x 1 México: O árbitro italiano Roberto Rosetti validou o primeiro gol argentino, marcado por Tevez, em clara posição de impedimento

Alemanha 4 x 1 Inglaterra: O chute de Lampard - que deixaria o jogo empatado por 2 a 2 - bateu no travessão e quicou dentro do gol. O juiz uruguaio Jorge Larrionda não viu que a bola entrou

Brasil 3 x 1 Costa do Marfim: Luís Fabiano dominou a bola no braço para marcar o 2º gol

EUA 2 x 2 Eslovênia: O gol que daria a vitória aos americanos foi mal anulado pelo árbitro Koman Coulibaly, de Mali

EUA 1 x 0 Argélia: O juiz belga Frank de Bleeckere anulou gol regular de Dempsey. Não fosse Donovan fazer 1 a 0 nos acréscimos, os Estados Unidos teriam caído na primeira fase

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