Início de temporada

Respeitável público, chega de espera e de conversa fiada! A temporada oficial do futebol brasileiro começa hoje. Isso mesmo, não há equívoco de minha parte, nem esta coluna está sendo escrita sob o efeito da folia de carnaval. O que você acompanhou desde a metade de janeiro até agora foi prévia, tira-gosto, esquentamento. Os estaduais, antes tão acirrados e atraentes, funcionam como passatempo para os desafios maiores. Pelo menos para uma seleta elite.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h02

O calendário pra valer, por estas bandas, abre-se à noite, com a estreia de São Paulo, Atlético-MG e Fluminense na edição de 2013 da Libertadores. Palmeiras e Grêmio entram em campo amanhã. O Corinthians, sexto representante do país, campeão continental e mundial, dá o ar da graça na semana que vem.

Sem embromação, e também sem nenhum sentimento ufanista, cravo desde já que haverá brasileiro na final. Talvez, a ocupar o topo do pódio mais uma vez. Não tenho bola de cristal, nem me ponho a chutar mais do que o ataque do Barcelona para fazer tal afirmação. Trata-se de bom senso e constatação óbvia, baseados em desempenho. Nas últimas duas décadas, nos tomamos muito gosto pela competição. Viramos especialistas nela, E, para a turma que gosta dos números, eles mostram que nesse período em dez ocasiões o título veio para cá (São Paulo 3, Inter 2, Cruzeiro, Vasco, Palmeiras, Santos, Corinthians) e em nove fomos vice-campeões, com direito a duas decisões domésticas. Ótimo.

Mais do que estatísticas favoráveis, exaltadas por quem enxerga o mundo como mera combinação matemática, a expectativa otimista se fundamenta na comparação entre a qualidade das equipes nacionais e a dos concorrentes. Não há exagero em considerar a turma da casa acima da média. O Palmeiras destoa - por motivos que você está cansado de saber. É a zebra, o franco-atirador, o patinho feio desse sexteto. E, por extensão, o único que eventualmente pode surpreender, se chegar a etapas importantes. Para os outros cinco, avançar no mínimo até as quartas virou obrigação.

Boca, Velez, Peñarol, U. de Chile são rivais a observar de perto, pelo menos pela tradição. Mas uma passada d'olhos pela região mostra que não existe um supertime dentre os vizinhos. Como ocorreu nas últimas três temporadas, é possível bater qualquer um deles, como o fizeram Inter (2o1o), Santos (2011) e Corinthians (2012). Como o regulamento faz de tudo para evitar encontros entre patrícios na finalíssima, como em 2005 (São Paulo x Atlético-PR) e 2006 (Inter x São Paulo), é enorme a possibilidade de um brasileiro jogar contra um time estrangeiro no tira-teima.

Não carimbo um favorito brasileiro também por sensatez. Não é muro, não! Muito menos média. Cinco cuidaram muito bem de seus respectivos elencos e sustentam a justa pretensão de título. O Corinthians manteve a base que fez sucesso e ainda conta com Pato. Mas o conjunto continua a ser seu grande trunfo. O Fluminense também conservou o que teve de melhor na campanha vencedora no Brasileiro. Pesa contra si a pressão por uma conquista inédita, que bateu na trave em 2008 (vice contra a LDU). Mesma ansiedade a cercar o Atlético-MG, que reuniu um grupo de respeito, com Ronaldinho à frente.

O São Paulo oscila, em certos momentos, porém oferece alternativas para Ney Franco formar uma equipe atrevida. O Grêmio aparece com a trupe mais variada, experiente e rica. Vanderlei Luxemburgo tem tudo para armar um time espetacular.

Não tem vai ter papo furado.

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