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Início desonesto

Preguiçoso e apático. Entre as definições publicáveis, essas duas resumem bem a imagem deixada pelo Corinthians na quarta-feira passada após empatar com o Tolima, adversário colombiano na fase de classificação da Taça Libertadores, obsessão do clube e de seus seguidores. As deficiências da equipe são óbvias, embora submersas em mais um início de ano desonesto com o futebol. As definições ajudam a entender o desempenho dos jogadores, mas não são adequadas ao momento.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

O ano corintiano pode confirmar as dúvidas geradas no Pacaembu, pode até ser pior. Mas é prematuro tirar conclusões quando se tem apenas dez dias de treinamentos. Impressiona a irrelevância desses fatores na composição de uma análise mais justa e próxima da verdade.

Sempre haverá a comparação com quem já começou o Estadual arrebentando, mas ninguém escapa do problema, essa é uma conta que chega cedo ou tarde. A lesão muscular é o melhor indicador. Daqui a dois meses ninguém vai conseguir estabelecer a relação correta de causa e efeito.

É por isso que os primeiros passos são quase irrelevantes. No Paulistinha ainda é possível ir tocando a vida assim mesmo, já na Libertadores a conversa é outra, principalmente para um time pressionado pela história.

Se o fator psicológico pesa, imagine o físico, o técnico e o tático. Quem consegue resolver os problemas do campo em dez dias? Há um mínimo de tempo necessário para fazer uma equipe correr e reduzir seus defeitos. É necessário pelo menos um mês, tempo hoje consumido pela necessidade de preencher a grade de programação da televisão e pelos cartolas das federações.

Com a venda de Elias, o Corinthians perdeu o jogador capaz de fazer as conexões entre o meio de campo e o ataque. Bruno César é mais um desses meias que vão se aproximando do gol e se esquecem de executar o seu verdadeiro papel. Também espera pela bola que deveria ser trabalhada por ele para os companheiros.

Sem Elias, Jucilei assumiu o papel de segundo volante, com avanços pela direita contra o Tolima, setor de Alessandro e Dentinho. Sem alguém capaz de juntar os departamentos da equipe, o Corinthians passou a acreditar nos confrontos individuais, nas disputas mano a mano, mas sem o fôlego necessário para tocar a bola e receber na frente, sem a menor capacidade de gerar infiltrações numa defesa cerrada e com marcação muito bem definida.

É óbvio o torcedor identificar preguiça e apatia num cenário desses. Com um meio de campo pobre de ideias, a falta de mobilidade, proveniente de condição física inadequada, vira uma armadilha.

É hora de Ronaldo entrar na história. Pesado e parado, ele ainda é importante para o Corinthians, até porque não possui um substituto. E, se houvesse, dificilmente perderia a vaga no time. Precisa da bola no pé, se possível de frente para gol. A movimentação em câmera lenta ajuda a excluir da partida e do time seu atacante mais famoso.

Poderia ser diferente se houvesse tempo, tempo para treinar mais e tentar se adaptar taticamente à nova formatação do meio de campo, agora sem Elias.

Esqueça essa história de preguiça e de apatia. Esses são problemas fáceis de serem resolvidos. Nesta quarta-feira, na Colômbia, apesar de todos os defeitos, o Corinthians ainda mantém razoáveis chances de classificação, já que prosseguirá na Libertadores com qualquer empate recheado de gols.

O time a ser batido. Com espaço para contra-atacar, terá mais chances. O resto, infelizmente, é irrelevante, como o clássico Santos 2 x 0 São Paulo. O placar não serve como referência para muita coisa. A única certeza é que com Neymar e Ganso aí está o time a ser batido. Por enquanto.

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