Inimigos, inimigos; negócios à parte

Grand Prix

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

Às vésperas do GP do Brasil do ano passado, resolvi arriscar um palpite aqui na coluna, de um lado com base no circuito de Interlagos, tipos de pneus trazidos pela Bridgestone e retrospecto; de outro lado, na maior responsabilidade e tensão que viviam os pilotos da McLaren, inimigos declarados e bem mais perto do título do que o ferrarista Kimi Raikkonen. O meu palpite foi jogar pleno na Ferrari. Mas só em relação à corrida, o que não estava nada difícil prever. Acabou dando Ferrari na corrida e no campeonato, e aí é que foi surpreendente. Eu não apostaria em Kimi campeão, mas não esqueço a conversa que tive com o diretor de prova, Carlos Montagner, no final do sábado, após a definição do grid de largada com Massa e Hamilton na primeira fila, quando ele cravou o nome do futuro campeão - Kimi Raikkonen. Depois de ver a incrível queda de rendimento no último GP da China, fiquei em dúvida se daria para esperar uma reação em Interlagos, um circuito habitualmente favorável aos carros italianos. Recuperei a confiança conversando com Felipe Massa. Explicar o que aconteceu em Xangai, nem ele nem a Ferrari sabem. Mas fui convencido de que isso ainda pode ocorrer numa Fórmula 1 do século 21. Como ele diz ter acontecido também com a McLaren em algumas pistas e com a própria Ferrari em Hockenheim, na Alemanha. Como o circuito alemão não tem nada a ver com o da China e nem os pneus são os mesmos, fico mesmo com a opinião de Felipe, de que a Ferrari se mantém forte na hora da decisão. O lado bom de chegar a uma decisão como zebra é que a pressão cai toda em cima do adversário. Que o diga Kimi Raikkonen. Já Lewis Hamilton não podia sequer dar um passeio de carro por Londres nesta semana sem ver e ouvir tudo o que se fala do seu favoritismo à conquista. Um quadro de quase 100 metros quadrados, com o rosto de Hamilton, pintado pelo artista Ian Cook, foi instalado junto à Tower Bridge. Nas famosas bolsas de apostas inglesas, quem apostar uma libra em Hamilton vai perder dinheiro, tal é a sua cotação de pleno favorito : 0,9 para 1. Já a aposta em Massa paga 4 para 1. Curiosa coincidência para a qual me chama a atenção o amigo Castilho de Andrade, diretor de imprensa do GP do Brasil: a cotação de Hamilton é a mesma que tem Barack Obama, também nas bolsas inglesas, em relação à eleição norte-americana, e a de Massa é idêntica à de John McCain. Particularmente torço por apenas uma dessas duas zebras, que é Massa. Reconheço que os 7 pontos de vantagem de Hamilton têm um peso enorme, mas todos nós sabemos que em corridas tudo pode acontecer, e este ano de 2008 foi pródigo em surpresas nas voltas finais das provas. Já em relação à vitória na última corrida do ano, a bolsa de apostas da Sky, emissora que transmite o Mundial na Inglaterra, dá vantagem a Felipe, cotado em 6:4. A cotação de Hamilton é 7:4. Michael Schumacher, que foi companheiro do brasileiro, diz que as pessoas têm de acreditar mais em Massa. Entre os atuais colegas de pista, Robert Kubica aposta em Massa. Fernando Alonso também prefere o brasileiro, mas se estivesse jogando seu suado dinheirinho, diz que jogaria em Hamilton. Inimigos, inimigos; negócios à parte.

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