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Antero Greco
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Inspiração alemã

Fosse Milton Cruz, aproveitava o fim da noite de ontem na concentração e reuniria os jogadores do São Paulo para verem o teipe de Bayern 6 x Porto 1. O show do time alemão comandado por Pep Guardiola funcionaria como digestivo e divertimento antes do sono. E sobretudo serviria de inspiração para a missão complicada de hoje, no Morumbi, em que se faz necessário ganhar do Corinthians para ir adiante na Libertadores.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2015 | 02h03

A lição que veio de Munique se amolda à perfeição também à equipe de Tite - na verdade para qualquer um que goste de futebol como manda o figurino. O Bayern havia perdido em Portugal por 3 a 1. Precisava, portanto, fazer 2 a 0 para superar as quartas de final. Conseguiu o suficiente em menos de 20 minutos e, insaciável, foi além e fechou o primeiro tempo com 5 a 0 fora o baile. Tirou o pé na segunda fase, tomou um gol, mas devolveu com o golpe de misericórdia.

Enfim, o Bayern jogou bola, apertou, pressionou, sufocou o adversário, buscou o gol, a essência desse esporte tão cativante e que um dia um filósofo disse que era "detalhe". A blitz foi inclemente, do início ao fim a tropa de Guardiola perseguiu com obsessão a vitória, a classificação, a prova de que o deslize de dias atrás não passou de hiato no padrão de qualidade altíssimo.

O Bayern comportou-se de acordo com a cartilha do treinador, que pode ser entendida como equilíbrio entre espetáculo e eficiência, prazer e obrigação, alegria e seriedade. Como ensinou ao Barcelona, até recentemente, como aprendeu com o Brasil de outros tempos. Pois é, Guardiola teve a escola brasileira como referência... e, antes do Mundial, admitiu que era um sonho treinar a seleção na Copa de 2014.

Se a história poderia ter sido diferente dos 7 a 1, agora se restringe ao campo da especulação. De volta para a atualidade, o São Paulo carece da gana que têm os times dirigidos pelo genial espanhol. Concentro o foco na turma tricolor porque é a que entra pressionada e corre risco de eliminação. Mas a observação vale para o Corinthians, especialista em fechar-se e com apetite moderado ir para o ataque.

Não resta alternativa ao São Paulo a não ser a vitória. Ok, empate pode servir, até derrota, desde que o San Lorenzo não ganhe do Danubio (zero ponto). Milton e rapazes não devem levar em consideração tais hipóteses. Ao contrário, têm obrigação de colocar na cabeça que bater o Corinthians representa a tranquilidade matemática para confirmar a vaga e, acima de tudo, demonstração de competência do elenco.

Eis o ponto: o São Paulo deixou de ser confiável. O torcedor quer acredita, pois essa é a função dele; caso contrário, não passaria de simpatizante. E, no futebol, não tem essa de gostar em parte; ou o sujeito ama de corpo e alma, ou não pode apresentar-se como torcedor. O problema grave está no fato de que até o fanático anda com um pé atrás. Esse o maior malefício que um grupo de jogadores pode atrair: o baixo astral do público.

Tirar a péssima impressão deixada com as oscilações frequentes - e com o desempenho ruim diante do Santos - é o desafio são-paulino para a noite desta quarta-feira. Chegou a hora de Ganso liderar o time; agora ou nunca mais. O cenário se desenha adequado para espantar o complexo de inferioridade contra um adversário histórico e não imbatível. San Lorenzo e Palmeiras revelaram o caminho das pedras. Com marcação implacável, o Corinthians acusa o golpe. Fechar as laterais e bloquear o meio-campo emperra a estratégia de Tite. Difícil, sem dúvida, mas não impossível.

Claro que há o outro lado. O Corinthians é forte, abalou-se com a eliminação no Paulista, terá Emerson, Elias e Renato Augusto desde o início. Interessa-lhe livrar-se do São Paulo por vários motivos. Dois deles: por amor-próprio e para não correr o risco de topar com ele mais adiante. Será um grande jogo. E os dois podem copiar um pouco, um pouquinho só, do estilo Bayern. Todos agradeceríamos.

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