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Antero Greco
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Inspiração verde

O futebol e a vida dão cada volta que vou te contar! Até outro dia o Palmeiras era motivo de esculhambação, pois parecia mais o exército de Brancaleone do que time profissional. Ainda mais depois da surra de 6 a 2 para o Mirassol. Agora, volta a ficar na boca do povo pela reação e pela vitória emocionante por 1 a 0 sobre o Libertad, resultado que o colocou nas oitavas da Libertadores com uma rodada de antecedência. Até rivais domésticos reconheceram os brios da rapaziada de Gilson Kleina.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h05

A reviravolta do momento eleva o Palestra a exemplo de superação para Fluminense, Grêmio e São Paulo, os brasileiros que tentam garantir-se na segunda fase do torneio continental. Os dois primeiros dependem apenas de si. Já a turma tricolor (4 pontos) está numa sinuca de bico: precisa bater o Atlético-MG (15), por dois gols de diferença, e torcer para que o The Strongest (6) não ganhe do Arsenal (4). Ou que os argentinos não goleiem os bolivianos. Eita situação danada de complicada!

Como desgraças costumam vir em pencas, há baixas confirmadas. Luis Fabiano continua a amargar suspensão por ter falado palavras feias para o juiz depois de jogo com o Arsenal. Só volta nas quartas, se a equipe passar. Jadson cumpre gancho por acúmulo de cartões amarelos e Maicon está contundido. Fora surpresas de última hora. (Isola!)

Não está fácil para o são-paulino manter o otimismo. Mas é necessário que acredite e que crie uma corrente com os jogadores, à maneira do que aconteceu na quinta-feira à noite no Pacaembu. Não se pode jogar a toalha por antecipação. Fosse assim, nem entraria em campo, já deixava o lugar para os gringos e se recolhia ao Campeonato Paulista, onde vai muito bem, obrigado, e lidera.

O desafio tem o tamanho da América. O Atlético-MG mostrou estilo arrasador nas cinco rodadas iniciais, não deu bola para nenhum dos adversários, venceu todas com autoridade e com sobras. Já é o melhor da etapa de grupos. E, de quebra, se jogar a pá de cal sobre o São Paulo, livra-se de um concorrente de peso, com o qual pode cruzar já no início do mata-mata. Veja a ironia do destino.

As adversidades existem, porém a hora é de torná-las estimulantes em vez de encolher-se diante delas. O elenco de Ney Franco tem qualidade, apesar dos desfalques. As decepções se acumularam até aqui, tá certo, os 4 pontinhos miseráveis jogam isso na cara. Mas nem sempre o time jogou mal. A derrapada imperdoável, e que descompensou a balança, foi o empate com o Arsenal (1 a 1) no Morumbi. Aquele foi de arrepiar.

O setor mais instável é a defesa. Ney testou diversas formações, que se mostram eficientes por um tempo, para depois desandar. Uma alternativa é usar três zagueiros para parar a blitz ofensiva que Ronaldinho Gaúcho parece divertir-se a comandar. O meio-campo perde em criatividade com a ausência de Jadson. No entanto, eis a oportunidade para Ganso tomar a batuta e se mostrar maestro da orquestra. Talento ele tem. Aloísio e Osvaldo vão ter de botar a língua para fora lá na frente.

Caminho espinhento pra chuchu. Ney Franco fará bem se, nos treinos e preleções, lembrar aos moços que há três títulos da Libertadores e três Mundiais no currículo do São Paulo contra nenhum dos mineiros. A camisa, portanto, pesa e a tradição conta. A história pode entrar em campo, na forma de encorajamento. E, acima de tudo, é necessário encarar cada dividida, cada jogada, como se fossem as últimas. Correr, suar. Às vezes, dá certo. Taí o Palmeiras para confirmar.

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