Instrutora desafia o alto mar

Há poucas mulheres na vela oceânica brasileira com a experiência e o carisma de Nádia Megonn, que é instrutora da BL-3 - Escola de Iatismo, em Ilhabela. Nesta regata Eldorado-Brasilis, a tripulante do "BL-3/Alforria" deverá concluir, pela segunda vez, o percurso e fazer com que os alunos, que estão no barco, terminem a prova como velejadores experimentados. "É aqui que vão aprender tudo para que possam enfrentar o mar", assinala a velejadora A BL-3 - Escola de Iatismo tem dois postos em Ilhabela - Engenho D?Água (para iniciantes) e Armação (para avançados) - e um terceiro na represa de Guarapiranga. Em dez anos, cerca de 5 mil alunos passaram pelos cursos de vela. Depois das classes Laser, Optimist e Windsurf, Nadia aceitou a proposta de Pedro Rodrigues, dono da escola e comandante da equipe de vela, para dar aulas de vela oceânica. Nádia chegou na sexta-feira a Vitória com o "BL-3/Alforria", depois de enfrentar tempo ruim na costa fluminense e com o rosto marcado por um golpe de um cabo de aço do barco, na véspera. Mas sem perder o entusiasmo: "Não é nada. O importante é que ganhamos confiança no veleiro depois de vencer a Santos-Rio. Mesmo sendo um barco mais antigo, poderemos fazer normalmente o percurso." No ano passado, com o "BL-3/Natura", um Benneteau de origem francesa, Pedro Rodrigues, Nádia e alguns alunos como tripulantes conseguiram fazer a prova em dez dias. Agora com o "Alforria", um Fast 410 fabricado no Brasil, Nádia acredita que poderá repetir o tempo se os ventos ajudarem. "Não andaremos no limite porque não é nosso objetivo. Pouparemos o barco e não vamos permitir que ande mais rápido do que suas reais possibilidades. É importante lembrar que esta viagem faz parte de um aprendizado", comenta. No caso de uma avaria, como aconteceu na região de Búzios, ainda no Rio de Janeiro, a caminho de Vitória, no Espírito Santo, ela e Pedro Rodrigues sabem que dão conta. "Fazemos quase tudo o que é preciso no barco", conta. SONHO - Vice-campeã paulista, vencedora da prova de Alcatrazes (classe IMS/cruiser), em 1998, comandante da equipe feminina que superou o recorde de Lars Grael na Recife/Fernando de Noronha em 2000, vencedora da classe comemorativa da Regata dos 500 anos do Descobrimento com o barco "Hozoni", também em 2000, Nádia Megonn vem sonhando com um projeto a longo prazo sem data marcada. "Dou aulas na escola mas, segundo meu acordo com o Pedro Rodrigues, não deixo escapar nunca a chance de fazer uma grande travessia." Nádia Megonn explica que já cruzou o Atlântico duas vezes, além de ter navegado pelo mar do Caribe e por toda a costa brasileira, que diz conhecer muito bem. "O que falta agora no meu currículo é uma grande viagem de volta ao mundo em um veleiro. Quando tiver o barco certo e a companhia certa será o momento. Já tive oportunidade de fazer essa viagem sozinha. Acho que até conseguiria. Mas não gostaria de estar sozinha nas ilhas da Polinésia", assinala. Muito bronzeada e bonita, Nádia diz que o segredo para não sentir a exposição diária e constante ao sol e os ventos do mar é a aplicação disciplinada de filtro solar duas vezes por dia e um bom hidratante à noite. "Esta vida também faz bem para a pele", revela.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2002 | 15h12

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