Inter de Limeira renasce e já sonha reviver 1986

Enterrado em dívidas, clube caiu para a última divisão. Após acesso para a A3, acredita que pode voltar a ser grande, como quando se tornou o 1º time do interior campeão paulista

ANELSO PAIXÃO, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 00h00

Após ter sua sede de campo penhorada por dívidas trabalhistas com ex-funcionários, água e telefone cortados e ir parar na última divisão do futebol paulista, a Internacional de Limeira, campeã paulista de 1986 em final histórica contra o Palmeiras, começa a renascer das cinzas. No domingo passado, conquistou o acesso para a Série A3 ao lado de Velo Clube, Taboão da Serra e Paulínia, além do Santacruzense, que ficou com a vaga do Comercial, convidado a disputar a Série A2 após a desistência do Votoraty.

A Inter começou a dar a volta no ano passado, logo que o rebaixamento para a última divisão paulista foi definido no gramado e a perda da sede campo decretada na Justiça. Um grupo gestor assumiu, então, o comando e começou a sanar os problemas.

O primeiro passo foi fazer o clube voltar a ter água, já que a dívida ultrapassava R$ 600 mil. Em seguida, a sede da Inter, que funciona no Estádio Major José Levy Sobrinho, o Limeirão, recuperou o serviço telefônico, também cortado por falta de pagamento. Tudo sem contar as péssimas condições do próprio estádio, antes orgulho da cidade.

Hoje, dois anos depois, o Limeirão está de cara nova, foi pintado, ganhou elevadores, os vestiários foram reformados e, fora de campo, as contas estão em dia. Dívidas, só as que já corriam na Justiça e que o clube espera definição para quitar. A sede de campo acabou servindo para resolver problemas com ex-funcionários, mas, o sonho é recuperá-la e transformá-la em moderno centro de treinamento.

A estratégia para conseguir o acesso foi adotar uma política "pé no chão", oferecendo a jogadores e comissão técnica apenas o que o clube pode pagar. Assim, os salários de atletas vão de R$ 700 a R$ 1,5 mil, apostando em promessas das categorias de base. "Primeiro, trouxemos o Claudemir Peixoto, técnico muito respeitado nesta divisão. Com ele, conseguimos atrair vários jogadores que o conhecem bem. Depois, fomos mostrando a seriedade do nosso projeto, com os salários em dia e com premiação por metas atingidas", afirma o presidente Ailton Vicente de Oliveira. "Oferecemos também toda a estrutura para que os atletas possam se preocupar apenas em jogar futebol", explica Marcel Barbosa, gerente de futebol.

Sem um centro de treinamento, a Inter faz sua preparação nos campos do Sesi e da empresa Fumagalli. "Isso porque a cidade resolveu novamente abraçar a Inter. O torcedor de Limeira sempre foi apaixonado pelo time, mas estava distante", conta Ailton Vicente. "Com os bons resultados, os torcedores reapareceram. O Leão (como o time é conhecido) sempre foi muito querido pela gente de Limeira", afirma o conselheiro Celso Potechi.

O próximo passo para ousar voos mais altos é conseguir negociar algumas das revelações, como o meia Lucas Lima, principal nome do time, o artilheiro Fernando Russi, e o zagueiro Cazoni. O grupo gestor terá direito a participação na venda dos atletas, mas o principal objetivo neste momento é ajudar a Inter a continuar subindo os degraus para voltar a ser um dos times mais temidos do interior paulista. Quem sabe até revivendo momento tão marcante quanto a inesquecível conquista de 1986, quando chegou a ser chamada de Laranja Mecânica do Interior, numa referência à fruta-símbolo de Limeira.

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