INTER REDUZ PROBLEMAS AO CRIAR DIRETORIA DE RELAÇÕES COM A TORCIDA

O Internacional conseguiu tirar os espinhos da relação com suas torcidas. Em 2011, o clube criou a Diretoria de Relacionamento com a Torcida, que faz a ligação entre as organizadas e a direção no que se refere à aplicação de punições e leva ao clube as reivindicações dos torcedores. Ela também faz a interação com a Polícia Militar e os demais órgãos públicos sobre as orientações específicas para cada jogo.

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h04

O departamento é comandado voluntariamente pelo delegado de polícia Luís Fernando Martins, que também é sócio do clube gaúcho. "Temos menos problemas com a torcida do que o nosso rival", diz o delegado, fazendo referência ao Grêmio.

A criação da diretoria não foi um ato isolado. Paralelamente, o clube promoveu um movimento para transformar os torcedores uniformizados em sócios do clube. Hoje, 600 torcedores são cadastrados, têm carteirinhas (com foto, nome e RG) e pagam mensalidades de R$ 65 (o ingresso é grátis para todos os jogos) ou de R$ 24 (os ingressos são vendidos pela metade do preço).

Por fim, o clube gaúcho foi o primeiro no mercado brasileiro a implantar o sistema de biometria (uso de impressões digitais) para identificar os torcedores no momento da entrada no Estádio Beira-Rio (a arena está em reformas e deve ser reaberta no início do ano que vem). Isso significa que 100% dos torcedores que estão no estádio podem ser identificados. "Embora não exista um levantamento estatístico, verificamos uma sensível queda dos casos de violência e vandalismo", afirma o diretor de administração Régis Chiba.

Hoje, o Inter tem 103 mil sócios, recorde brasileiro. A diretoria tem ainda um pequeno entrave para superar antes de considerar o modelo totalmente vitorioso: o clube continua buscando uma solução para a demora da identificação dos torcedores na porta do estádio (cerca de 30 segundos cada), o que provoca grandes filas. Outro porém é o fato de o cadastramento atingir uma população pequena. As torcidas paulistas têm entre 20 mil e 30 mil sócios, o que demandaria um trabalho de Hércules.

O cadastramento e a filiação das organizadas não é a única saída. O professor Arlei Damo, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acredita na punição dos clubes pelo atos dos torcedores, o que criaria um "policiamento coletivo".

"Punir todos, e não apenas o agente, é mais barato e eficaz do que colocar um exército para vigiar os torcedores", argumenta Damo. "Nas décadas de 80 e 90, as torcidas xingavam os policiais quando eles prendiam aqueles que invadiam o campo. Agora, xingam os invasores porque a invasão passou a ser punida coletivamente. Então, quando alguém tem a iniciativa de saltar dentro do campo, é provável que vários tentem impedi-lo. Antes, o que faziam era auxiliá-lo e aplaudi-lo." /G.Jr. e R.R

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