Inter vence no meio-campo

Por mais emocionantes que tenham sido os últimos minutos da partida no Beira Rio, por mais que as duas bolas de Bruno César no travessão pudessem alterar o placar e criar uma falsa impressão de domínio, a superioridade do Internacional foi exercida num setor onde os gaúchos marcaram melhor, com Glaydson e Guiñazu, e criaram mais, com D''Alessandro. O jogo foi construído no meio de campo. O Corinthians comportou-se mal. A primeira bola chutada ao gol de Renan com algum perigo saiu dos pés de Jorge Henrique, aos 41 minutos do primeiro tempo, período em que os paulistas foram minados por sucessivos erros de passes e bolas perdidas.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

Com cinco jogadores no meio-campo, o Inter trabalhou muito mais pela recuperação da bola, pressionando o adversário com quase todo o time atrás da linha da bola. O trabalho premiou o conjunto de Roth com o dobro de desarmes do adversário.

O segundo tempo corintiano foi melhor, mas desta vez Adílson não conseguiu dar ao time o seu tempero tático, com a movimentação dos jogadores e a troca de posicionamento a partir do meio-campo. O novo treinador recebeu o Corinthians de Mano Menezes em primeiro lugar, um ponto acima do Fluminense. Depois de 13 partidas, apesar de não ter montado o grupo, a equipe representa basicamente as suas ideias.

Com mais liberdade, Elias passou a ser meia, as "peças" mudam freneticamente de posição. Hoje o Corinthians está mais propenso ao risco e oferece mais espaço atrás da linha de zagueiros. Arrisca-se, adquire vários formatos ao longo dos 90 minutos, de acordo com o resultado e o comportamento do adversário. Convém prestar atenção, vê-lo de perto, pois dificilmente atravessará uma partida mantendo a mesma estrutura desde o início.

Contra o Internacional não funcionou. O novo treinador se diverte com um problema corriqueiro no futebol: os desfalques. Sente-se desafiado e nem sempre busca soluções convencionais. O custo disso é ser chamado de inventor. É o risco, sempre associado ao resultado e ao placar. É a ponta visível da novidade. Ontem, o mesmo Moacir que conseguiu manter Neymar sob controle na segunda etapa contra o Santos, na quarta-feira, desviou a bola na cobrança de falta de Andrezinho tirando qualquer possibilidade de defesa para o goleiro Júlio César.

Um campeonato com 38 rodadas é muito diferente de uma competição eliminatória, como a Copa do Brasil ou a Taça Libertadores a partir das oitavas de final. As derrotas podem ser absorvidas ao longo da campanha, desde que o resultado do risco seja um maior número de vitórias e não de empates como tem feito o Vasco. Tem sido agradável ver o Corinthians jogar. Nem melhor nem pior comparado ao de Mano, apenas diferente.

Missão possível. Luxemburgo deixou o Atlético Mineiro com 29% de aproveitamento dos pontos disputados. A caminho de mais um rebaixamento, o Galo desistiu do projeto do professor cinco vezes campeão brasileiro e agiu muito rápido, contratou Dorival Jr., um dos bons treinadores brasileiros na atualidade.

Para salvar o Atlético-MG, precisará atingir 60% de rendimento nos jogos que restam, como se brigasse por vaga na Libertadores. Vai depender do estado emocional do grupo. Se a saída de Luxemburgo for entendida como um alívio para todos, pode funcionar. Trata-se de um trabalho obviamente muito difícil, mas não impossível, como ensina o Fluminense de 2009. Dorival foi muito mal tratado ao deixar o Santos. Havia um certo interesse em colocá-lo como o vilão da história, como se tivesse forçado a barra para sair por ter acertado com o São Paulo. Houve quem acreditasse nisso.

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