Interinos que se tornam eternos quebra-galhos

Basta um "técnico medalhão" cair e lá estão eles, prontos para assumir o cargo e quebrar um galho do clube até o próximo chegar. Normalmente é assim a vida de Serginho Chulapa no Santos, Milton Cruz no São Paulo, Carlinhos e Andrade no Flamengo, Vinícius Eutrópio no Fluminense entre outros interinos famosos. No Palmeiras, antes de Jorginho, que ainda espera sua vez, outro interino acabou efetivado: Marcelo Villar, em 2006. Terminada a experiência, Villar seguiu a carreira em times menores.O São Paulo também arriscou certa vez, colocando o treinador de goleiros Roberto Rojas no cargo após a queda de Oswaldo de Oliveira em 2003. Fez boa campanha no Brasileiro, conquistando uma vaga na Libertadores de 2004. No início da temporada, foi substituído por Cuca, que levou o time até as semifinais da Libertadores.O prazo para a experiência, porém, costuma ser curto. A validade termina normalmente após a primeira derrota.Serginho Chulapa, por exemplo, já foi técnico do Santos, mas não decolou na carreira, principalmente por seu gênio explosivo. Certa vez, nervoso por uma derrota, agrediu o repórter Gilvan Ribeiro, do jornal Diário Popular, no vestiário. Ficou afastado do clube no período em que Emerson Leão, seu desafeto nos tempos de jogador, foi o treinador (2002-2004) e retornou após sua saída, deixando novamente o clube quando o técnico retornou, em 2008. Com a nova saída de Leão, voltou a ser auxiliar técnico. Treinou ainda outros clubes, como Portuguesa Santista, São Caetano e Sãocarlense. Agora, é novamente o interino à espera de Muricy Ramalho ou Vanderlei Luxemburgo, os mais cotados.Embora muitas vezes se sintam desprestigiados por conta de seus mandatos-tampão, é fato também que preferem se manter assim, como auxiliares técnicos e interinos em curtas passagens, do que se arriscar em clubes menores.Um caso emblemático é Carlinhos no Flamengo. Sua ligação com o clube carioca resultou em nada menos do que sete passagens pela Gávea. Foi o responsável entre outros trabalhos pelo último título brasileiro do Flamengo, em 1992, o quinto do clube. Foi o técnico também da última conquista internacional, a Copa Mercosul, em 1999. Sua última passagem pelo Flamengo como técnico ocorreu entre maio e outubro de 2000, época em que conquistou a Taça Rio e logo depois o bicampeonato estadual. Como técnico, colecionada nada menos que 313 partidas.Assim, com ótimos resultados e até títulos na bagagem, os interinos seguem sua rotina de bons quebra-galhos, mas nunca de solução dos problemas nos clubes que tanto amam.

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