Interlagos, 35 anos de belas disputas

Emerson, Piquet, Pace, Senna e Massa venceram e colocaram seus nomes na história do autódromo

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2007 | 00h00

Em 1938, dois empreiteiros da empresa "Autoestradas S/A" decidiram construir uma pista de corrida para contribuir com o desenvolvimento de um novo bairro residencial que se formava na região. Surgia assim o Autódromo de Interlagos, que foi inaugurado em 12 de maio de 1940 com várias provas de automóveis e motocicletas. O circuito, que era particular, foi vendido em 1950, para o Comitê de Celebração do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A idéia era que ele fosse reformado, mas nada aconteceu até 1966, quando foram feitos ajustes para elevar a pista à categoria de internacional. A primeira corrida de Fórmula 1 no Brasil aconteceu no circuito em 30 de março de 1972. O vencedor foi o argentino Carlos Reutemann, mas o evento não contou pontos para o Campeonato Mundial da época. O País passou a fazer parte do calendário oficial da FIA somente no ano seguinte, com prova realizada em 11 de fevereiro. A pole position foi do sueco Ronnie Peterson mas, para alegria da torcida verde-amarela nas arquibancadas, a vitória foi do brasileiro Emerson Fittipaldi, com a Lotus, que repetiu a dose no ano seguinte, já defendendo a McLaren. Em 1975, foi a vez do também brasileiro da Brabham José Carlos Pace, ganhar a corrida, que foi realizada no autódromo no ano de 1980. Interlagos passou por uma fase de ostracismo internacional entre 1981 e 1988, fase em que o Grande Prêmio do Brasil passou para o Circuito de Jacarepaguá, no Rio. O brasileiro Nelson Piquet conseguiria suas duas vitórias no País nesta pista, em 1983 e 1986 e, que agora leva o nome de Autódromo Nelson Piquet, homenagem ao piloto. Em 1989, São Paulo conseguiu reaver os direitos de realização da corrida e o autódromo, que em 1985 havia sido rebatizado de José Carlos Pace, foi totalmente reformado. A pista foi reduzida de 7.960 metros para 4.325 metros, ganhou novos boxes e torres de controle para a reestréia em 1990. A pole position da corrida foi de Ayrton Senna, com vitória do francês Alain Prost, companheiros de McLaren.Somente no ano seguinte, em 1991, o Autódromo de Interlagos voltaria a ter uma vitória brasileira, com o próprio Ayrton Senna ainda na equipe inglesa. Foi uma conquista inesquecível porque o brasileiro contou com a ajuda da chuva e nas últimas voltas seu carro estava só com a sexta marcha - o piloto precisou dominar o carro no braço. Mal conseguiu levantar a taça tal a dor pelo esforço. A segunda conquista do piloto foi em 1993, um ano antes de sua trágica morte.Se na pista a vitória não teve a dramaticidade da primeira, também não faltou emoção. Após a vitória, o piloto sequer conseguiu dar a tradicional volta da vitória com a bandeira brasileira. A torcida invadiu a pista e o piloto brasileiro teve de ser resgatado pelo safety car para chegar ao pódio.Depois, daquele comemorado triunfo, a torcida brasileira esperou longos 13 anos para voltar a comemorar. Felipe Massa quebrou o tabu no ano passado com a Ferrari e o hino nacional voltou a ser tocado no pódio, prova que marcou a despedida do heptacampeão Michael Schumacher.A expectativa para 2007 é de que o piloto consiga um repeteco e a bandeira nacional volte a ser hasteada no lugar mais alto do pódio neste domingo.

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