Invasão, briga e tiros no Flu

Protesto de torcedores nas Laranjeiras só foi interrompido com dois disparos para o alto

Sílvio Barsetti, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Desocupados, vândalos ou apaixonados sem limite. A definição é livre e serve para rotular cerca de 80 torcedores do Fluminense que invadiram a sede do clube, ontem à tarde, para provocar e agredir alguns atletas. O meia Diguinho levou um soco no rosto e um segurança à paisana disparou dois tiros para o alto a fim de dispersar o tumulto.A cena chocou quem estava nas Laranjeiras, situada ao lado do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, para curtir a tarde de calor no Rio ou apenas com a intenção de ver o treino do time, que ainda não havia começado. Com uma faixa de protesto contra o lateral-direito Eduardo Ratinho - "Se Ratinho é jogador, eu sou astronauta" - e palavras de ordem contra outros jogadores, como Thiago Neves e Fred, o grupo invadiu o Fluminense pela entrada social do clube.O incidente começou quando um chefe de torcida organizada provocou o meia Diguinho, que não tem atuado. Houve bate-boca e o jogador revidou usando um par de chuteiras que carregava nas mãos.No meio do confronto, Diguinho levou um soco. A situação já estava fora de controle, com a comissão técnica e atletas se posicionando para defender os colegas, no momento em que um segurança deu dois tiros para cima. "Tentei me defender na hora. Eu estava com minhas chuteiras nas mãos, mas não o agredi com elas, somente me defendi", contou mais tarde o jogador, por meio da assessoria de imprensa do Fluminense.Após muita correria e pânico, alguns invasores passaram a ocupar a arquibancada e outros deixaram a sede. A violência desapontou o técnico Carlos Alberto Parreira, um dos alvos, e vários atletas. "Isso é um absurdo! Total falta de estrutura!", desabafou o volante Fábio Santos, recém-contratado.À noite, o assessor da presidência do Fluminense, Marcelo Penha, disse que o clube tomaria todas as providências para punir os vândalos. Não explicou, porém, por que o agressor de Diguinho não foi denunciado aos policiais militares que não demoraram a chegar às Laranjeiras. O dirigente disse que as atividades do futebol profissional do Fluminense vão ser mantidas na sede. O time passa por crise após eliminação na Copa do Brasil e um início nada promissor no Campeonato Brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.