Invasão gringa

Nesta época do ano, a conversa no futebol sempre gira em torno de contratações e dispensas. É período meio morno, mas que reserva uma ou outra negociação de maior impacto, como foi o acerto do Corinthians com Ronaldo. Uma leitura pelos jornais, porém, escancara uma tendência que se torna mais acentuada: o recrutamento de estrangeiros para integrarem por aqui elencos de times de ponta. Como o real ainda é competitivo, pelo menos em relação a moedas de vários países da América Latina, recorrer a gringos tem sido a saída para compensar a revoada de brasileiros em busca de euros e dólares.O Fluminense, por exemplo, acaba de ficar em definitivo com o argentino Conca e tenta, segundo informa o excelente cronista Mauro Cesar Pereira, da ESPN, fechar com Neri Cardozo, que já viveu melhor fase no Boca. O Internacional de Porto Alegre recentemente apostou em D?Alessandro, outro hermano, e se deu bem, ao conquistar a Copa Sul-Americana. O Cruzeiro jamais esqueceu Sorín e o chamou de volta para aproveitá-lo em 2009. O Corinthians ainda reverencia Tevez, seu maior ídolo nos últimos anos, e se destacou, na Série B nacional de 2008, com os gols de Herrera. O Palmeiras encantou-se com o chileno Valdivia e não achou substituto depois que ele foi para o Oriente Médio. Gosto de gringos nas nossas equipes. Embora seja uma visão um tanto estereotipada, considero que trazem charme e têm imagem em que se aliam espírito de luta, suor, raça, essas coisas tão caras aos torcedores. Não compartilho da idéia de quem enxergue nessa invasão estreitamento do mercado para os jogadores locais. Aí é xenofobia, o mesmo raciocínio torto de muito europeu preocupado com o desembarque maciço do pessoal que vem do Terceiro Mundo ou do Leste da Europa.Mas vou aplaudir nossos clubes quando trouxerem só gringos com qualidade comprovada, da grandeza de Tevez para cima. Nessa hora, a memória dá um salto para o passado e resgata Pedro Rocha, Rodolfo Rodriguez, Ramos Delgado, Figueroa, Dario Pereyra. Seria bom que fossem reforços desse quilate. Como seria bom também que Papai Noel existisse.

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