Iphan libera cobertura do Maracanã

Parte mais polêmica do projeto do estádio prevê substituição de estrutura de concreto ''condenada'' por uma lona tensionada

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

Com o intuito de não comprometer a utilização do Maracanã na Copa das Confederações, em 2013, e no Mundial, no ano seguinte, o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional do Rio (Iphan-RJ), Carlos Fernando de Andrade, anunciou ontem a aprovação do ponto mais polêmico das obras de reforma do estádio: a atual cobertura, de concreto, será demolida e uma nova vai ser feita com lona tensionada.

O objetivo da mudança é atender às exigências da Fifa. Recentemente, laudos técnicos indicaram que a cobertura de concreto teve sua estrutura "condenada", não suportaria uma estrutura adicional para ampliá-la e tinha de ser trocada. A Fifa exige a cobertura de todos os assentos, a fim de proteger o público de intempéries.

"Foi uma análise de bom senso. Se quiséssemos ser ortodoxos, teríamos de exigir que a nova cobertura do estádio fosse refeita com o mesmo material da sua construção, ou seja, de concreto. Mas isso inviabilizaria prazos e aumentaria demais os custos", disse Andrade.

Ele não descartou a possibilidade de uma nova modificação na cobertura, possivelmente depois da Copa. "Se houver algum tipo de problema essa intervenção pode ser revertida."

Tombado pelo Iphan desde 2000, o Maracanã sofreu uma série de exigências por parte da Fifa para ser utilizado na Copa de 2014 e precisa, a cada modificação, do aval do instituto.

No início deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou irregularidades na licitação das obras do Maracanã, orçadas inicialmente em cerca de R$ 700 milhões - com o comprometimento da cobertura e a construção de uma nova, a estimativa do governo do Estado é que a reforma do estádio gire em torno de R$ 1 bilhão.

Segundo o relatório do TCU, a planilha orçamentária do Maracanã "beira peça de ficção, pois não há projetos de engenharia suficientes que caracterizam os serviços contratados". O novo projeto, com a alteração da cobertura, deve ser entregue amanhã em Brasília, para aprovação do TCU e da Controladoria-Geral da União (CGU).

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