Irmão de Kenenisa Bekele é atração

Tariku, de 24 anos, diz não se importar com fama do mais velho e que se inspira nele para brilhar no atletismo

AMANDA ROMANELLI , VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h04

O jovem Tariku Bekele, de 24 anos, carrega consigo um sobrenome célebre no atletismo e quase mítico em seu país, a Etiópia. Pela primeira vez no Brasil, passou um tanto despercebido entre as atrações da Corrida de São Silvestre, que terá astros como o brasileiro Marilson Gomes dos Santos e o queniano Martin Lel. É que, por enquanto, seus feitos na carreira são ofuscados pelo brilhantismo de seu irmão mais velho, Kenenisa.

Em casa, Tariku tem o exemplo de como ser um vencedor. Kenenisa Bekele, de 29 anos, é recordista mundial dos 5 mil e dos 10 mil metros, e um multicampeão dessas provas. Na distância mais longa, é tetracampeão mundial e bicampeão olímpico. Na mais curta, venceu nos Jogos de Pequim, em 2008, e no Mundial de Berlim, em 2009. Kenenisa, porém, vive um momento difícil: sofreu grave lesão no pé direito no início de 2010 e não conseguiu competir no Mundial de Daegu, em agosto.

Com tantas conquistas, o irmão de Tariku está na galeria de ícones etíopes nas provas de fundo, que conta com nomes como Abebe Bikila (o único bicampeão olímpico da maratona) e Haile Gebrselassie (que foi recordista mundial da distância até este ano, após uma vitoriosa carreira nas provas de pista).

"Ele é o meu herói", diz Tariku, que não se importa em responder às perguntas sobre o irmão famoso e falar tão pouco de suas próprias conquistas. "Treino com ele todos os dias e sempre aprendo muito."

O corredor diz que não sente a pressão por ser considerado um sucessor de Kenenisa. "Na verdade, ser irmão dele abriu portas para mim. Nunca foi um problema." Mas não gosta muito de comparações. "As pessoas são diferentes e têm talentos diferentes. O meu talento é diferente do dele", enfatizou.

Por enquanto, porém, Tariku segue as pegadas do irmão famoso. Campeão mundial júnior dos 5 mil em 2006, ele tentará o índice nos 5 mil e nos 10 mil metros para a Olimpíada de Londres, no ano que vem. Ele esteve nos Jogos de Pequim, em 2008, e ficou com a 6.ª posição nos 5 mil.

Tariku também corre os 3 mil metros em pista coberta e, em São Paulo, estará em preparação para a disputa do Mundial Indoor de Istambul, que será realizado em março - foi campeão da distância em 2008.

Mas, talvez para buscar diferenciação de Kenenisa, não descarta mudar de foco e começar a correr distâncias mais longas, nas ruas, daqui a algum tempo. "É um objetivo para o futuro", admite o corredor.

As chances de Tariku na São Silvestre são uma incógnita - será uma surpresa vê-lo entre os cinco melhores da disputa paulistana. Isso porque a sua especialidade é correr em pista, não em provas de rua. Será apenas a 5.º vez que estará no asfalto, a segunda em uma disputa de 15 km. "Só fiz essa distância uma vez e corri para 43 minutos", lembra. Apesar da falta de experiência, a marca é expressiva.

O etíope não esconde que conhece muito pouco da São Silvestre. "Fiquei sabendo que o percurso tem muitos altos e baixos. Também me contaram que a prova é bastante popular, com muitas pessoas. Eu gosto disso. E é disputada em uma data especial, quase no início de um novo ano", enalteceu.

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