Marcio Fernandes/ Estadão
Marcio Fernandes/ Estadão

Irmãs Vicente colocam Brasil em mais uma final no badminton

Luana e Lohaynny derrotam dupla anfitriã em ginásio lotado

Estadão Conteúdo

14 de julho de 2015 | 19h05

Crescidas em uma favela do Rio, sem o pai - traficante de drogas morto quando elas eram crianças -, as irmãs Luana e Lohaynny Vicente, de 21 e 19 anos, respectivamente, deram a volta por cima. Nesta terça-feira, mostraram que o badminton do Brasil vive um momento único na história. Ganharam de uma dupla canadense, diante de um ginásio lotado, e levaram o Brasil à final das duplas femininas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

O feito só não é inédito porque, pela manhã, Hugo Arthuso e Daniel Paiola também conseguiram chegar até a final nas duplas masculinas. Além dessas duas medalhas já garantidas, o Brasil também ganhou bronze nas duplas mistas, com Lohaynny e Alex Tjong, que perderam a semifinal mais cedo - diferente do tênis, no badminton os mesmos atletas sempre jogam as chaves individuais, de duplas masculinas/femininas e mistas em todos os torneios do Circuito Mundial.

A vitória sobre Alex Bruce/Phyllis Chan, por 2 a 0 (22/20 e 21/14), no início da sessão noturna em Toronto, foi a forma de Lohaynny ir à forra contra os anfitriões. Afinal, foi a local Michelle Li a responsável por eliminá-la nas quartas de final da chave de simples. Já em duplas mistas ela e Alex perderam para Toby Ng/Alex Bruce, também do Canadá.

A final nas duplas femininas está marcada para as 15h desta quarta-feira, contra Eva Lee/Paula Lynn Obanana, dos EUA. Os dois times disputam a vaga do continente nos Jogos do Rio, pelo ranking mundial. As norte-americanas estão no 19.º lugar, com as brasileiras em 35º.

As conquistas desta terça-feira coroam um novo momento do badminton do Brasil. Em toda a história dos Jogos Pan-Americanos, o País só tinha duas medalhas de bronze. Em Toronto, já assegurou duas de prata (que podem virar ouro) e uma de bronze. Fez sete quartas de final.

Ainda que o resultado cause surpresa para quem não acompanha de perto o badminton, as três medalhas são um resultado aquém do esperado pela comissão técnica, que havia traçado como meta subir ao pódio em todas as cinco disputas do Pan. De qualquer forma, era difícil acreditar em duas finais.

Em Guadalajara, há quatro anos, o Brasil ganhou apenas um bronze, com Daniel Paiola. A outra medalha do País em Jogos Pan-Americanos data de 2007, quando, em casa, ganhou um bronze em duplas.

O País nunca disputou os Jogos Olímpicos na modalidade, mas em 2016 terá direito a um convite na chave masculina de simples e outro na feminina. Hoje, não precisaria do convite, porque Paiola e Fabiana Silva estão na zona de classificação do ranking mundial. Nas duplas, vai ao Rio o melhor time do continente em cada disputa.

Em agosto acontece o Campeonato Mundial, em Jacarta (Indonésia). Apenas Alex Tjong e Daniel Paiola vão à competição porque vão bancar o evento do bolso. A Confederação Brasileira de Badminton (CBBb), com o cobertor curto, preferiu pagar para a seleção disputar dois eventos no continente americano.

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