Ettore Ferrari/EFE
Ettore Ferrari/EFE

Itália lança candidatura e quer inaugurar nova era olímpica em 2024

Tentando reduzir custos, país anunciou candidatura nesta segunda-feira e pretende utilizar quatro regiões; capital Roma seria a base

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2014 | 10h28

A Itália quer ser o primeiro país a se aproveitar da reforma promovida pelo Comitê Olímpico Internacional e apresentou, nesta segunda-feira uma candidatura para os Jogos de 2024 em quatro diferentes regiões do país. Se a base será Roma, os organizadores apontaram que certas modalidades serão disputadas em Florença, Nápoles e na ilha da Sardenha. Tudo para baratear os custos, ganhar a opinião pública e abrir uma nova era na organização de mega-eventos esportivos.

Na semana passada, em sua maior reforma em décadas, o COI anunciou medidas para flexibilizar a organização da Olimpíada, abrindo caminho para que uma cidade não tenha de construir obras que simplesmente não precisará depois do evento. 

A medida foi um esforço de voltar a atrair cidades e regiões de países democráticos. Nos últimos dois anos, pelo menos sete cidades haviam desistido de candidaturas depois que a população ou os políticos indicaram que não teriam como pagar pelas estruturas exigidas pelo COI. O resultado foi que apenas cidades de países autoritários e sem controle de recursos passaram a disputar o evento. Roma e os italianos haviam decidido abandonar a corrida pelos Jogos de 2020, justamente por conta do preço que o processo representaria. Agora, com a flexibilização das leis, Roma quer o evento em 2024.

"O governo italiano está pronto para um prometo que não está baseado em grandes obras de infra-estrutura ou grandes sonhos. Mas em um grande povo", declarou o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. "Vamos estar na vanguarda de todos os controles de gastos", insistiu. 

Modalidades de vela e outros esportes aquáticos podem ocorrer na Sardenha, enquanto as primeiras rodadas do basquete e vôlei devem ser espalhadas pela Itália. "Obviamente a candidatura será centrada em Roma. Mas ela também vai envolver Florença, Nápoles e Sardenha", confirmou Renzi. 

Outra promessa de Roma é de que vai usar muita da estrutura que já havia sido construída para os Jogos de 1960, entre eles o complexo Foro Italico, onde está o estádio olímpico, atletismo, futebol, natação e tênis. Uma das promessas do COI foi de que iria parar de fazer exigências de obras e tentar usar ao máximo o que uma cidade já oferece. 

A medida promete gerar uma nova corrida entre os países democráticos. A Alemanha deve anunciar seu projeto em março, enquanto a França deve fazer o mesmo em janeiro. Ainda nesta segunda-feira, os EUA anunciarão sua decisão e um candidatura ficaria entre Boston, Los Angeles, São Francisco e Washington.

A lista dos competidores ainda deve inclui Doha, Dubai, Baku, Istambul, Budapeste e uma cidade ainda a ser definida na África do Sul. 

APOIO

Uma decisão será tomada em 2017. Mas dirigentes italianos admitem que o maio desafio será o de convencer a opinião pública. O desemprego atinge 40% dos jovens e a economia continua estagnada. "A maior barreira será convencer a opinião pública", declarou o italiano Mario Pescante, membro do COI. "O processo terá de ser transparente", insistiu. 

Para ele, porém, a reforma promovida pelo COI abriu as portas para Roma. "O COI entendeu que não estava atualizado com sua era", completou. 

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