Itália sonha em marcar 1º gol no Maracanã

Na estreia diante do México, Azzurra tenta balançar as redes do lendário estádio carioca

LUÍS AUGUSTO MONACO / RIOENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h08

Chegou o dia de os italianos finalmente jogarem no Maracanã. Eles passaram a semana falando sobre a emoção e o orgulho que sentiriam ao disputar uma partida num estádio com tanta história e no qual sempre sonharam jogar. E hoje, contra o México, um deles poderá se tornar o primeiro a fazer um gol ali com a camisa da Azzurra (em sua única partida no estádio, em 1956, a Itália perdeu por 2 a 0 para o Brasil). O favorito para conseguir esse feito é Mario Balotelli, o "Super Mario", centroavante com faro de gol e jogador mais carismático do elenco.

A dor na coxa direita que sentiu durante o treino de sexta não deve atrapalhá-lo, segundo disse o médico Enrico Castellacci. E a jornalistas próximos o técnico Cesare Prandelli disse não ter dúvida de que ele jogará.

Com ele não há meio termo. Por causa de seu temperamento explosivo e a facilidade para se meter em polêmicas, ou é amado ou odiado. No Rio, até agora, só foi paparicado e não teve motivo para se irritar. Quando aparece no saguão do Hotel Sheraton ou sai para caminhar na praia, é sempre o jogador mais requisitado para autógrafos e fotos. No amistoso de terça-feira contra o Haiti, em São Januário, a torcida pedia a sua entrada (Cesare Prandelli escalou o time reserva) desde o primeiro tempo. E quando o técnico o colocou, foi recebido com muitos aplausos.

Quem vê Balotelli não consegue imaginar que ele seja capaz de ataques de fúria como o que teve ao ser expulso em Praga há dez dias ou de brigar com o treinador e sair no tapa com um companheiro durante o treino (coisas que já fez), porque ele é um sujeito quieto e que aparenta tranquilidade. É sempre o primeiro a sair do vestiário para o ônibus depois dos treinos e saúda os jornalistas com um aceno tímido. Mas quando perde a paciência se transforma numa fera, capaz de atos e declarações que prejudicam muito sua imagem.

Para que se tenha uma ideia do interesse que o atacante do Milan desperta, basta dizer que uma das ocupações dos jornalistas italianos é monitorar a sua conta no Twitter. Vira e mexe um deles dá o alarme para os outros: "Balo tuitou!" E todos correm para ver se o que o craque escreveu rende uma matéria.

Prandelli é considerado o técnico que lida melhor com o temperamento de Balotelli. E isso é atribuído a dois fatores: sua experiência em trabalhar com garotos (ele ficou famoso como treinador por ter comandado com grande sucesso equipes de base da Atalanta) e o fato de que de vez em quando se comunica com o craque em dialeto bresciano - tanto um como o outro cresceram na região de Brescia.

Depois da expulsão tola em Praga, Balotelli ofendeu torcedores que o criticavam pelo Twitter. Prandelli o chamou para uma conversa e explicou que ele precisa aprender a suportar provocações. O atacante parece ter entendido e, já no Rio, postou no Twitter: "Meu lema daqui para a frente será este: humildade, honestidade e empenho. Nasce um novo Balotelli, podem me cobrar."

Os italianos esperam que o "novo Balotelli" continue a ser o atacante que finaliza bem e luta como um leão. E torcem para que seja dele o primeiro gol da Azzurra no Maracanã.

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