Italianos se dizem vítimas de processo que quer suspensão de 26 por doping

Um dia depois de a Federação Italiana de Atletismo (Fidal) publicar brevemente que a Agência Nacional Antidoping da Itália (NADO Itália) havia pedido a suspensão de 26 atletas ligados à entidade por ''evasão'' do controle antidoping, nesta quinta-feira a história começa a ser melhor esclarecida.

Estadão Conteúdo

03 de dezembro de 2015 | 18h06

Pelo que explica o jornal Gazzetta dello Sport, o Ministério Público da cidade de Bolzano rastreou mais de um milhão de e-mails trocados entre o primeiro trimestre de 2011 e o segundo de 2012. No entendo do ex-promotor Alex Schwazer (já exonerado), o controle antidoping italiano é superficial, senão negligente.

O pedido de suspensão de 2 anos a 26 atletas, entre 65 investigados, aconteceu porque eles não teriam informado mudanças de paradeiro para efeitos de controle do chamado "passaporte biológico". Essa ferramenta, utilizada pela Agência Mundial Antidoping (Wada), analisa o histórico sanguíneo do atleta para identificar mudanças de comportamento. Em síntese, eles podem ser punidos por não informarem que passaram a noite fora de casa, por exemplo.

"Não atualizados em tempo, por dias ou horas, o nosso ''whereabout'' sobre a nossa disponibilidade. Esse atraso é considerado como uma fraude. Estamos falando de um sistema que falhava por todos os lados", disse à Gazzetta o saltador Fabrizio Donato, 39 anos, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 no salto em distância e ícone do atletismo italiano.

Nada indica que qualquer dos atletas que podem ser suspensos consumiu substâncias ilícitas, enquanto a possibilidade mais aventada é de que a comunicação falha entre os órgãos competentes e os atletas fez com que o entendimento da procuradoria seja de que eles devem ser punidos. "Somos vítimas, inocentes. Alguém fez seu trabalho mal feito, com incompetência", reclamou Donato.

Uma vez que parece consenso que os atletas não são os culpados, agora a Itália procura quem são os responsáveis pelo escândalo. "A soma de negligência, superficialidade, incompetência e inadequação é infinita. As consequências atingem todo ou quase todo o esporte italiano, sem que há uma vírgula de responsabilidade nossa", reclamou Alfio Giomi, atual presidente da Fidal, eleito após o período investigado.

"Jogar nos atletas a responsabilidade pelo que aconteceu - o que não é doping - é muito simples. O atleta é o ponto de partida e de chegada do esporte, mas no meio existem técnicos, empresas, federação, Coni (Comitê Olímpico Italiano)...", criticou Giomi.

Giuseppe Gibilisco, bronze olímpico no salto com vara e já aposentado, é um dos atletas acusados e jogou a culpa no Coni. "Nenhum destes 26 rapazes se dopou. Pagamos todos pela desorganização do Coni, o único culpado", disse.

Presidente do Coni, Giovanni Malagò falou brevemente com a imprensa em um evento universitário e isentou os atletas "Esses caras não são as pessoas que trapacearam, é simplesmente uma questão de procedimentos de comunicação sobre onde estão. A atual direção da Fidal é totalmente vítima", disse ele.

Dos 26 atletas denunciados, seis já estão aposentados. Os outros 20, de acordo com a Fidal, devem continuar treinando para os Jogos Olímpicos do ano que vem, uma vez que continuarão recebendo apoio da federação. Os julgamentos não começam antes de fevereiro e devem se prolongar ao longo de todo o ano.

Entre os que podem ser suspensos estão todos os atletas de alto nível do salto em distância e da maratona masculina, provas no qual o atletismo italiano é forte. A lista completa tem: Roberto Bertolini, Migidio Bourifa, Filippo Campioli, Simone Collio, Roberto Donati, Fabrizio Donato, Giovanni Faloci, Matteo Galvan, Giuseppe Gibilisco, Daniele Greco, Andrew Howe, Anna Incerti, Andrea Lalli, Stefano La Rosa, Claudio Licciardello, Daniele Meucci, Christian Obrist, Ruggero Pertile, Jacques Riparelli, Silvia Salis, Fabrizio Schembri, Daniele Secci, Kaddour Slimani, Gianluca Tamberi, Marco Francesco Vistalli e Silvia Weissteine.

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