Itaquerão entra na marca do pênalti

Impasse entre clube, construtora e banco continua e empréstimo do BNDES não sai; Prefeitura ainda não emitiu os CIDs. Sem dinheiro, obra pode mesmo parar

ALMIR LEITE, PAULO FAVERO, VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h05

O prazo dado por Andrés Sanchez para a paralisação das obras na Arena Corinthians por falta de dinheiro pode vencer antes do esperado. Os operários estão de sobreaviso e existiria até uma possibilidade de que na segunda-feira o trabalho fosse interrompido, mas a cúpula do clube nega que isso possa acontecer. Mas garante que, se o panorama não mudar, nos próximos dias o estádio poderá parar de crescer. "Não existe um dia específico, mas vai parar. Nós vamos até onde der, pois o oxigênio está acabando", disse ao Estado uma fonte envolvida com o Itaquerão.

Segundo gente próxima de Andrés, o ex-presidente do Corinthians e que ficou como responsável pelas obras da arena não está blefando e todos no clube estão preocupados com a situação. Tanto que já pediu que o corpo técnico da Odebrecht fizesse estudos para ver que mudanças teriam de ser feitas caso o estádio não fosse utilizado na Copa.

Por ser o campo que vai receber a abertura do Mundial de 2014, o clube praticamente não poderá utilizá-lo para partidas durante todo o ano. Isso implica perda de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões de faturamento no período.

Além da perda de dinheiro, o Corinthians está tendo de lidar com um prejuízo até agora de aproximadamente R$ 60 milhões. Metade desse valor é referente aos juros dos empréstimos que a construtora Odebrecht fez para iniciar as obras e a outra parte está relacionada ao atraso na regulamentação de impostos, pois o clube teve de comprar materiais sem abatimento. Isso tudo deixou a cúpula corintiana preocupada e é consenso que as obras vão parar em breve.

A situação pode mudar caso o dinheiro do empréstimo do BNDES (R$ 400 milhões) seja liberado. O problema é que o Banco do Brasil, repassador do dinheiro, não aceita as garantias oferecidas pela Odebrecht, e a construtora, por sua vez, só dará outras garantias caso o Corinthians a aceite como sócia no gerenciamento do estádio. Só que o clube já avisou que isso não está em negociação e também já informou a Fifa, o Comitê Local e o próprio BNDES da situação crítica da falta de recursos.

Outra parte do dinheiro para o Itaquerão viria dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) por parte da Prefeitura de São Paulo. No total, vão ser emitidos R$ 420 milhões em CIDs, que serão negociados no mercado. Andrés e um representante da Odebrecht se encontraram recentemente com o prefeito Fernando Haddad e todos consideraram a conversa proveitosa. Houve promessa de liberar a primeira remessa (até R$ 156 milhões) ainda neste mês e, por causa disso, ele preferiu segurar mais alguns dias antes de parar a obra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.