Iziane levou namorado para o hotel

Ala, conhecida por causar problemas, foi cortada por Hortência da seleção feminina de basquete que vai a Londres

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL A LONDRES , O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h02

O fio desencapado da seleção brasileira feminina de basquete originou outra crise. Iziane foi cortada da delegação, que está em Lille, onde jogou ontem contra a França (derrota por 67 a 57). Hoje, o time comandado pelo técnico Luis Cláudio Tarallo enfrentará a Austrália, e a China é a adversária no domingo. Na segunda-feira, a equipe entra na Vila Olímpica.

De Londres, a reportagem do Estado telefonou para o celular maranhense de Iziane, pela manhã, que atendeu. Com voz em tom baixo, empregando monossílabos à guisa de respostas, a problemática ala passou a bola para sua assessora de imprensa. "Isso é tudo", declarou a atleta.

Mais tarde, em Lille, Iziane deu entrevista coletiva. Ela admitiu que foi cortada por ter infringido uma regra da seleção: seu namorado dormiu algumas noites no quarto dela, no hotel da delegação brasileira. Hortência, que já suspeitava que algo estava errado, flagrou a indisciplina.

"Levei meu namorado para dormir em meu quarto no hotel em algumas noites. Sei que essa atitude foi inadequada, e que esta sanção pune não só a mim quanto todo o trabalho que realizamos nesses meses e ao longo desses anos", disse e jogadora, que chorou.

Não há possibilidade de inscrição de outra atleta, o que seria permitido apenas no caso de uma lesão comprovada. Dessa forma, onze jogadoras viajarão a Londres para os Jogos.

O corte de Iziane indica uma mudança no comportamento de Hortência, diretora de seleções femininas da CBB. Em crises anteriores assemelhadas à atual, a "Rainha" optou sempre por trocar o treinador e manter "Izzy".

Foi assim com Paulo Bassul, que ocupava o cargo de técnico quando Hortência assumiu o cargo na Confederação, por escolha de Carlos Nunes, o presidente da CBB. Agora Bassul é diretor técnico da Liga Nacional de Basquete, responsável pela principal competição nacional masculina, o Novo Basquete Brasil.

Bassul cortou Iziane da Olimpíada de Pequim, porque ela se recusou a entrar em quadra numa partida decisiva do Pré-Olímpico, contra a Bielorrússia. Mas isso foi antes de Hortência assumir seu cargo atual.

O sucessor de Bassul foi o espanhol Carlos Colinas, que reconvocou Iziane, mas não durou devido a maus resultados. Diferente do argentino Rubén Magnano, o técnico da seleção masculina, que se mudou para São Paulo, Colinas não quis largar seu cargo de diretor do Celta de Vigo, na Galícia, e fazia esporádicas visitas ao Brasil, em épocas de preparação da seleção para as competições mais importantes.

Os resultados com Colinas não foram satisfatórios, e ele deu lugar a Enio Vecchi. A contratação de Enio, que nunca havia comandado uma equipe feminina antes, foi obra de Hortência, que se desgastou com os treinadores brasileiros que atuam no basquete feminino ao declarar que nenhum estava qualificado para o cargo. No Panamericano de Guadalajara, Iziane se desentendeu com Vecchi.

Hortência então promoveu Tarallo, que tem longos anos de serviços prestados nas categorias menores. Janeth está sendo preparada pela cartola para comandar o Brasil nos Jogos de 2016, no Rio. Mas cabe a Carlos Nunes decidir se não terá chegado a hora de destronar a Rainha.

Seu principal erro foi apostar várias vezes numa jogadora problemática. Em entrevista publicada pela revista Isto É 2016, a ex-cestinha chegou a declarar: "A Iziane saiu muito cedo de casa. Ela vem de uma família muito pobre, lá do Maranhão, e tem uma carcaça muito dura. Mas, por dentro, é muito sensível. Então toda essa carcaça que ela coloca é pra se proteger. Não é fácil passar por todos esses anos em que ela jogou na Europa e agora nos EUA. Ela nunca me deu um problema".

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