J. Baptista e a chance de 'mostrar que é útil'

Meia entra na vaga de Kaká para recuperar o prestígio que tinha nos títulos da Copa América e das Confederações

Sílvio Barsetti, enviado especial Durban, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

Responsabilidade. Júlio Baptista quase foi à Copa de 2006. Agora, estreia na vaga do camisa 10

 

    Há uma declaração ensaiada na seleção, como se constasse de uma cartilha: os 23 atletas convocados por Dunga são titulares. Por um lado, e com boa vontade, é possível entender que isso, na prática, significa dizer que todos ali têm de estar preparados para eventualidades. É o que se espera hoje de Júlio Baptista. Ele vai entrar na vaga de Kaká, expulso na última partida, naquela que pode ser uma oportunidade única na sua carreira. "Estou pronto para jogar. Trabalhei para isso", disse Júlio, ainda em Johannesburgo.

 

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São poucos os "reservas" que conseguem na história de Copas dar um salto repentino de um jogo para o outro, ainda mais quando substituem atletas de talento e qualidade técnica, como Kaká. Júlio Baptista deixou seu recado para Dunga e seus críticos mais ferinos na final da Copa América de 2007, na Venezuela, quando marcou um belo gol na vitória por 3 a 0 sobre a Argentina.

Desde então, passou a ser nome certo nas convocações. Mas o papel de protagonista daquela decisão sofreu um revés. Júlio Baptista não teve mais nenhuma outra grande atuação pela equipe e se firmou como coadjuvante no time de Dunga. Até mesmo em 11 de maio, data do anúncio dos 23 jogadores brasileiros que hoje estão na África do Sul, havia algumas dúvidas quanto à presença do meia da Roma na lista.

Hoje, a partir das 16 h em Durban (11h de Brasília), Júlio Baptista vestirá a camisa 19, cantará o hino nacional perfilado ao lado dos colegas e vai ouvir o aplauso de milhares de pessoas quando seu nome for anunciado pelo sistema de som do Moses Mabhida Stadium. Sua imagem despontará nos painéis superpostos sobre a arquibancada. "Quero mostrar de novo que posso ajudar, que posso ser útil para a seleção", afirmou, ansioso por sua estreia num Mundial.

A alegria com a chance de atuar numa Copa era visível no treino de ontem, no Estádio Princess Magogo, numa área periférica de Durban. Júlio Baptista era um dos mais expansivos e dava gargalhadas durante o recreativo. Logo ele, que lidera o grupo dos moderados da seleção. No final da atividade, foi a atração, ao cobrar vários pênaltis. Teve bom aproveitamento e sabe que essa tarefa pode ser sua hoje se o árbitro marcar faltas a favor do Brasil na área ? Kaká é o cobrador oficial. Com a ausência também de Elano, ele pode se encarregar de outra missão ? bater as faltas na entrada da área que estejam mais à feição dos destros.

Júlio Baptista esteve com um pé no Mundial de 2006. Participou de campanhas vitoriosas, das Copas América (2004) e das Confederações (2005) com Carlos Alberto Parreira, mas acabou sobrando na relação final. Nunca escondeu seu desapontamento com a exclusão. Deu a volta por cima e conseguiu o que queria. Resta agora substituir à altura o número 10 da seleção.

 

 

 

 

 

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