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Já passou, Pelé!

Eu jamais brincaria com o choro e o sentimento da Andréa Cristina Ladeira, a moça que deixou de dar a bandeirada para o Cacá Bueno na Stock Car em Ribeirão Preto, se não tivesse ido conversar com ela e até combinado um encontro dos dois.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2015 | 02h04

Andrea queria pedir desculpas pessoalmente, e Cacá me disse que também gostaria de abraçá-la, porque "se até o Pelé cometeu esse erro na Fórmula-1, ela tinha todo o direito". Em primeiro lugar, que fique claro: independentemente da bandeirada, que é apenas um gesto formal, a corrida se encerra no tempo ou número de voltas programado. Por não ter havido a bandeirada, e vendo o Marcos Gomes acelerando pra cima dele, o Cacá resolveu acelerar também. Mas a sua ida à torre reclamar com os comissários foi mais pelo receio de receber uma punição porque os pilotos são proibidos de dar uma volta a mais depois de encerrada a corrida.

O episódio do Pelé, que me veio à mente na hora, aconteceu no GP do Brasil de 2002. Pelé se distraiu e a quarta vitória de Schumacher em Interlagos não teve bandeirada, pelo menos para ele. O primeiro a ver a bandeira quadriculada foi o irmão dele, Ralf Schumacher, segundo colocado. O curioso é que a narração do Galvão naquele episódio virou um bordão que é usado por nós, jornalistas, para se referir a qualquer tipo de atraso: "Já passou, Pelé !" O Galvão sabe disso, eu mesmo contei. Dá pra imaginar quantas vezes esta frase foi repetida na sala de imprensa em Ribeirão? Sobre o encontro, minha sugestão deu certo e os dois se encontraram lá mesmo em Ribeirão. Vale dizer que Andréa atua desde 1995 em provas da Stock Car e trabalhou como comissária de pista em 15 GPs de Fórmula-1, um deles nos EUA.

Variações climáticas trazem complicações. A regra que permite a troca de pneu deu margem a diferentes interpretações, mas como a primeira bateria tinha começado com chuva e terminado com pista seca, considerou-se que a mudança ocorreu no meio da bateria e não no intervalo entre as duas. Portanto, aplica-se o regime de "parque fechado" no grid com proibição de qualquer troca, inclusive pneus. Por isso, quem entrou no box foi excluído da primeira bateria e não da segunda, por não ter cumprido o regime de "parque fechado", ainda parte da primeira.

O problema que deixa quem está transmitindo ao vivo sujeito a erros é que não se tem acesso a assuntos discutidos no briefing dos pilotos. Regra é regra, mas eu entendo que o bom senso deve prevalecer em casos excepcionais. Isso não ocorreu no caso da proibição de reabastecer o carro de Popó Bueno e Diego Nunes, que perderam suas tentativas de treinar por causa de duas bandeiras vermelhas nas duas voltas cronometradas deles. Como tudo tinha sido zerado, penso que também o reabastecimento deveria ter sido autorizado como se tudo estivesse, de fato, começando de novo, mas o regulamento foi obedecido ao pé da letra e eles não tiveram o direito de fechar uma única volta.

É por razões como esta que até na F-1 equipes adversárias seguem a lógica e concordam com algumas exceções. Tenho certeza de que as outas equipes teriam concordado numa eventual consulta.

China. Entramos nesta madrugada na terceira etapa da Fórmula-1. Os ferraristas, depois da vitória na Malásia e do bom rendimento do carro nos treinos livres de ontem, estão na maior euforia, mas a chance de inovar na estratégia na China é menor do que na Malásia, já que a previsão da Pirelli é de apenas duas trocas de pneus, e não três. Mas fica claro que a favorita Mercedes já não se sente tão imbatível.

Vettel e Raikkonen foram bem nos treinos e Hamilton e Rosberg esperam um ritmo ainda melhor da Ferrari na corrida.

Felipe Nasr, agora sem os problemas de diferencial, foi muito bem ontem (quinto na primeira sessão e oitavo na segunda). Felipe Massa teve uma asa traseira quebrada em plena reta, conseguiu evitar uma batida forte, mas deu apenas sete voltas. Na primeira sessão tinha ficado a um milésimo de Bottas. Xangai é uma pista de muitas ultrapassagens.

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