Jade supera lesão e volta com estilo: bronze no salto

Recuperada de grave contusão, ela bate fortes adversárias para garantir a única medalha do[br]Brasil na competição

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2010 | 00h00

Ela foi considerada acabada para o esporte por causa de uma séria contusão no punho direito, diagnosticada pelos médicos como um problema sem possibilidade de tratamento. Mas a persistência foi mais forte e ontem Jade Barbosa foi recompensada por todo o esforço para seguir na ginástica: a brasileira conquistou a medalha de bronze na prova do salto do Campeonato Mundial de Roterdã.

A atleta admitiu que o resultado superou qualquer expectativa. Quando chegou à Holanda, Jade revelou que a surpresa de muitas adversárias foi grande, pois já no meio da ginástica muitos a consideravam aposentada. "Realmente, medalha era coisa que eu não esperava, uma vez que minhas adversárias tinham notas de partida muito altas", conta. O objetivo, segundo a atleta, era dificultado pelo fato de que teria de esperar a maioria das adversárias se apresentar. "Não estava nervosa, mas meu salto era o oitavo e tinha de tomar cuidado pois não podia desaquecer."

Depois da apresentação final, a confiança em um om resultado era tanta que a delegação brasileira já comemorava. Além da medalha, Jade encontrou um motivo ainda maior para celebrar. "Não senti dor em todo Mundial", festejou.

Na sequência, ficou confirmado o bronze para a brasileira, com 14,799 pontos. A prata foi para a sensação do Mundial, a russa Aliya Mustafina (15,066) e o ouro para uma atleta que estava aposentada, mas retornou em grande estilo: a americana Alicia Sacramone, nota 15,200.

Jade não quis dedicar a medalha a uma pessoa para não cometer injustiças. "Foi resultado de um trabalho de grupo: família, técnicos, médicos", explicou.

Determinação. Jade quase teve de encerrar a carreira há dois anos, quando depois da Olimpíada de Pequim descobriu que um dos ossos do punho, o captato, estava necrosado. Segundo especialistas, o problema, que lhe causava dores intensas e a impedia de treinar e competir, não poderia ser revertido e a substituição da área afetada por uma prótese, apesar de possível, jamais havia sido testada em atletas.

Começou uma batalha entre o pai da atleta e a Confederação Brasileira de Ginástica. César Barbosa acusou a entidade de negligência no caso da filha. Paralelamente, a equipe permanente de ginástica foi dissolvida e o clube da atleta, o Flamengo, entrou em uma das maiores crises financeiras de sua história. A sequência da carreira de Jade ficou seriamente ameaçada.

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