Jadel Gregório vai mudar de nome

A amizade virou namoro, virou noivado e neste sábado, seis meses depois, vai terminar em casamento. A união com a fisioterapeuta Samara Abdul Ghani, de família muçulmana sunita, vem transformando a vida de Jadel Gregório, terceiro colocado do ranking mundial do salto triplo. A exemplo da lenda do boxe Muhammad Ali - que era Cassius Marcellus Clay Jr. de nascimento -, o atleta brasileiro se converteu ao islamismo e mudou de nome. Agora, é Jade Abdul Ghani Gregório, na carteira de identidade e no passaporte - tirou o "l" do nome e incorporou o sobrenome de família da noiva. Só não sabe ainda que nome usará nas competições - vai discutir o assunto com a gerente de sua carreira na Europa.O casamento, uma das cerimônias mais importantes na vida de um muçulmano, será celebrado por um xeque e traduzido para o português por um primo da noiva, legítimo tradutor do alcorão. "Minha vida mudou após os 24 anos", afirma Jadel, que também tem como referência os Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto, quando foi quinto colocado no salto triplo. Em setembro, convidado por Samara, foi para o Líbano, ainda como amigo. Voltou como namorado, se converteu ao islamismo e, em dezembro, já estava noivo. Nesse meio tempo, trocou de técnico e de cidade - passou a treinar com Aristides Junqueira, o Tide, deixando Nélio Moura, com quem evoluiu na prova. Passou a revezar o local de moradia e de treinamento entre Presidente Prudente (SP), onde vive Tide, e São Paulo."Samara é minha fisioterapeuta há cinco anos, mas quando a conheci eu namorava. Depois da Olimpíada, fomos para o Líbano, conheci seus parentes e fiquei encantado com o país e com o tratamento que recebi das pessoas. Um país me acolheu. Como posso dizer? Acho que as pessoas são muito verdadeiras. Também fiquei muito interessado pela cultura."Como muçulmano, Jadel já praticou o ramadã em outubro do ano passado - mês sagrado, em que o jejum é obrigatório do nascer ao pôr do sol - e sabe que deve orar cinco vezes por dia. O xeque Jihad, da Sociedade Beneficente de São Paulo, explica, ainda, que um muçulmano precisa "verbalizar a crença, pagar o ozakat (imposto aos necessitados) e peregrinar uma vez na vida a Meca."Samara é fisioterapeuta da BM&F Atletismo, equipe de Jadel. "A BM&F é o padrinho e a madrinha desse casamento", disse o atleta, que, arredio e desconfiado, não fala muito da vida pessoal. Não revela, por exemplo, se entre os padrinhos estarão pessoas ligadas ao atletismo.Mas o diretor da equipe do triplista, o empresário Sérgio Coutinho Nogueira, será um deles, como par da holandesa Ellen van Langen, manager de Jadel. Nélio, o ex-técnico, não foi convidado para a cerimônia.Jadel também não revela onde será a lua-de-mel. Ficará 15 dias fora do Brasil, mas garante que o programa de treinamento, elaborado pelo técnico Tide, seguirá com ele. "Vou treinar todos os dias", garantiu. "Se ele está apaixonado, o casamento nunca atrapalha. Onde estiver, em lua-de-mel, fará o trabalho programado. Viajará com o treino embaixo do braço", completou Tide.O atleta considera-se em uma ótima fase. "Aprendi muito, amadureci com as experiências, quero saltar bem. Estou feliz e isso me ajudará a competir", afirmou Jadel, que depois do quinto lugar na Olimpíada, quando todos apostavam em pódio e medalha, prefere não criar expectativas para o temporada, em que o Mundial de Helsinque, na Finlândia, em agosto, será a prova mais importante do ano.

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