Jadel tenta honrar dinastia no triplo

O brasileiro Jadel Gregório mostrou que está pronto para competir, entre os 12 melhores do mundo, por uma medalha no salto triplo, o que significaria a continuidade de uma escola de tradição do atletismo brasileiro. São duas décadas de lacuna desde o acidente, a amputação da perna direita e o afastamento de João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, do atletismo, em 1981, até o aparecimento de Jadel, que vem se consolidando no topo do mundo no circuito internacional.Atualmente é dono do segundo melhor salto de 2004, com a marca de 17,72 m e também o vice-líder do ranking de pontos da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf). Será que o paranaense de Jandaia do Sul, criado em Marília, interior de São Paulo, poderá ser o quarto integrante da dinastia de triplistas do Brasil? Jadel não fala em medalha e sim em saltar longe. "A prova vai ser forte, terei de saltar longe e vou saltar longe", afirma. A disputa de medalha será neste domingo, a partir das 14h10 (horário de Brasília), no Estádio Olímpico de Atenas.Se Jadel pode ser considerado um dos favoritos, o técnico Nélio Moura observa que existem pelo menos "mais meia dúzia de outros favoritos" e o pódio está muito perto e ao mesmo tempo distante. Até mesmo o campeão mundial, no ano passado em Paris, e o líder do ranking, o sueco Christian Olsson, não pode mais ser considerado imbatível, na opinião do treinador brasileiro. "A cada competição que passa, os outros triplistas chegam mais perto dele. Estou impressionado com o equilíbrio nessa prova. O torneio olímpico será uma das provas do triplo mais disputadas dos últimos tempos", aposta Nélio.Jadel tem apenas cinco anos de trabalho sério no salto triplo (antes, saltava em altura) e uma evolução de 3,07 m desde o primeiro bom salto, de 14,65 m, quando ainda experimentava a prova, em 1998. Esse ano, o melhor salto do atleta, que é alto (2,02 m) e pesado (102 quilos), foi em São Paulo durante o Troféu Brasil, com a marca de 17m72. O norte-americano Melvin Lister, que era dono da melhor marca de 2004, nem se classificou para a final olímpica. Mas o favorito na prova de amanhã é mesmo o sueco Christian Olsson que, na qualificação, saltou 17m68. Jadel fez o quinto melhor salto, na sexta-feira, com 17m20.Permeio - Entre os dois estão o cubano Yoandri Betanzos, o romeno Marian Oprea e o inglês Phillips Idowu. A trinca de medalhistas do triplo inclui o único bicampeonato olímpico da história do Brasil, em 1952 e 1956, Adhemar Ferreira da Silva - Nélson Prudêncio ganhou prata em 1968 e bronze em 1972 e João do Pulo, dois bronze, em 1976 e 1980, e ainda é o recordista brasileiro e sul-americano (17,89 m).Nélio acha que Jadel não pode receber cobrança de medalha e nem que seja responsável por dar continuidade a dinastia. O próprio saltador não conhecia e nem se inspirou em nenhum dos triplistas para escolher a prova - na verdade foi levado ao triplo porque era pesado demais para saltar em altura, o que realmente queria. "Ele treinou muito bem, focou tudo na Olimpíada, desistindo, inclusive do Grand Prix de Zurique. Está preparado para enfrentar a pressão e acho que vai saber encarar tudo isso de maneira motivadora", resumiu Nélio.

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