Jadel vê ?recomeço? de uma nova fase

Após os Jogos Olímpicos de Atenas, quando ficou em quinto lugar, o triplista Jadel Gregório rompeu com o técnico Nélio Moura e deixou São Paulo para treinar em Presidente Prudente, com Aristides Junqueira. Desde então, decidiu não falar com a imprensa. Na quinta-feira, em São Paulo, ele falou com a Agência Estado e garantiu que a mudança de técnico marca o recomeço de sua carreira.Agência Estado - Qual sua próxima competição?Jadel Gregório - Estou treinando para o Mundial da Finlândia, em 2005. Acho que em fevereiro já vou para umas duas competições na Europa, em temporada Indoor. Quero continuar bem no ranking (está em segundo no ranking mundial, atrás do sueco Christian Olsson), e estar no pódio.AE - Como estão os treinos em Prudente? Estou um pouco atrasado com a preparação para 2005. Eu deveria ter começado em outubro, comecei em novembro. O Tide é um ótimo técnico e amigo. Estou me adaptando rápido porque fui muito bem aceito. Ainda tem muitas coisas que não concordo e muitas que discordo. Então conversamos para chegar ao meio termo. Lá é mais tranqüilo para se treinar.AE - Como são os treinos?Treino uma semana aqui em São Paulo e três lá em Prudente porque a BMF (patrocinadora da equipe) pede. Não me atrapalha os treinos dessa forma.AE - Mas você treina sozinho em São Paulo? Sim. Mas em alguns exercícios peço a ajuda de alguns técnicos. Por exemplo para tomarem os meus tempos, dar uma olhada na corrida.AE - Entre esses técnicos não está o Nélio. Você tem falado com ele? Não. A gente mal se fala. Mas é porque a gente não se vê. Nessa semana encontrei com ele, mas só de longe. Ele fica do outro lado da pista e não vai largar os atletas dele. Assim como eu não vou parar os treinos para falar com ele.AE - Então ficou uma mágoa?Não sei, não sei. Pode ser.AE - Por que você ficou tanto tempo sem querer falar sobre isso? Eu estava pensando em coisas como o treinamento para 2005, tinha de me adaptar na cidade, com o novo técnico. Já tinha passado a Olimpíada. Poderia ter sido melhor, mas competi bem. Acho que poderiam ter segurado o pico de treinamento para eu chegar no auge na época da Olimpíada. Cheguei no pico no Troféu Brasil (em junho), quando fiz 17,72 m. Depois ficamos um mês na Espanha antes de Atenas. Cheguei lá com 102 quilos e fui para a Olimpíada com 106.AE - Como foi a temporada de 2004?Foi a melhor da minha carreira, magnífica. Foi a primeira vez que mantive uma média de saltos de 17,30 m. Acho que em Atenas dei uma bobeira, não consegui acertar um salto. Mas mesmo assim acho que fui bem.AE - E o que teve de pior no ano?Ter saído de São Paulo. Porque aqui eu já tinha um alicerce, já tinha erguido as paredes. Teve muita gente que virou a cara para mim, me julgou antes de perguntar o que tinha acontecido comigo. Estava aqui há seis anos. Ir para Prudente foi um recomeço. Um recomeço rápido.

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