Daniel Smorigo/Divulgação
Daniel Smorigo/Divulgação

Jadson André tenta fugir do estereótipo baladeiro

Surfista potiguar reforça dedicação nos treinos e ajuda psicológica para 'não ser mais um'

MILTON PAZZI JR., estadão.com.br

30 de abril de 2010 | 16h45

A vitória de Jadson André na etapa de Imbituba, em Santa Catarina, do Circuito Mundial da Associação dos Surfistas Profissionais (ASP), surpreendeu os torcedores e boa parte dos jornalistas que acompanham o esporte pelo mundo. Apontado como potencial campeão desde que entrou nas disputas pelo planeta, há três anos, não se esperava que isso viesse tão rápido.

E ainda mais em seu País, numa final contra o líder do ranking mundial e nove vezes campeão Kelly Slater, dos Estados Unidos. O dia seguinte à conquista talvez tenha sido o mais agitado, como acontece com todos os que atingem o sucesso, aparecem nos jornais, na internet e na televisão: telefonemas para entrevistas e muitos parabéns pelo caminho.

"Isto é o meu sonho. Isto é tudo pelo que tenho trabalho na minha vida. Estar na praia e poder dizer que eu venci, é algo muito especial para mim. Eu não sei como colocar em palavras. É um milagre. Isto é incrível. Eu agradeço a todos por isso", diz André, ainda influenciado pela comemoração do título, na entrevista coletiva.

Com 20 anos, ele tem uma trajetória de dez como surfista, e cinco como competidor. Começou a pegar onda de brincadeira, em Natal (RN), onde nasceu, e aos 15 foi morar no Guarujá (SP), com a ajuda do também potiguar e surfista Aldemir Kalunga, a quem já disse considerar um padrinho, mas não um substituto dos pais, com quem mantém contato constantemente, mesmo longe.

André tem um histórico de ser uma pessoa mais concentrada que a maioria dos surfistas, fugindo do estereótipo "baladeiro". Acorda cedo e participa de todas as atividades que seus investidores/patrocinadores exigem - o surfista profissional é bancado por empresas, já que não existem clubes, como no futebol - e conta com apoio até psicológico.

"Tenho muito o que aprender. Faço as coisas certas, treino bastante, tento fazer o meu melhor. Não quero ser mais um, quero ficar nisso", afirma, nas entrevistas aos mais diversos veículos que o procuram.

Nas categorias de base do surfe, Jadson André conquistou os títulos de Durban (AFS), em 2009, e em Penha (SC), em 2008. Neste ano, no Circuito Mundial da ASP, foi 17.º e nono nas duas primeiras etapas. A próxima será em 15 e 25 de julho, em Jeffrey’s Bay (a uma hora ao sudeste da Cidade do Cabo), na África do Sul, logo após a Copa do Mundo.

Agora quarto colocado no ranking (estava na 13.ª posição), com 15.500 pontos e estreante na temporada, André acumula uma premiação de US$ 175.500 (cerca de R$ 303 mil). Nem tudo disso é dele - divide com os patrocinadores -, mas pela idade e pela qualidade, vai aumentar bastante. E melhorar bastante sua vida e da sua família, um dos outros objetivos da vida, além dos títulos.

Tudo o que sabemos sobre:
surfeJadson AndréASP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.