Jadson e o gol do "Fico"

No meio da semana Jadson ouviu críticas por recusar oferta milionária pra jogar na China. Houve quem tenha considerado negligência dele fechar os olhos para um punhado de dólares, que lhe engordariam o saldo bancário e alegrariam os clubes, e empresários. O moço disse que preferia ficar e ser feliz no Corinthians.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

02 Março 2015 | 02h04

A prova de que não falava da boca pra fora veio na tarde de ontem no Itaquerão, na primeira apresentação após o "dia do Fico". O jogo com o Mogi Mirim andava modorrento, numa chatice de galocha daquelas. Até que a bola sobrou pro Jadson, por perto da área, no início do segundo tempo. Ele ajeitou, olhou, observou, aprumou a pontaria e soltou a chinelada. Um golaço e tanto, para sacudir a torcida na arquibancada e acordar quem cochilava diante da televisão.

Gol de quem está com vontade de provar que a escolha não foi conversa furada. Gol para cair na graça do público e reforçar a confiança do treinador. Gol de quem vislumbra a brecha de tornar-se titular num grupo que se afina no Paulista e venceu com honra ao mérito na estreia na Libertadores. Gol de quem não está para brincadeiras.

O gol de Jadson animou o Corinthians, que se soltou, acelerou, criou oportunidades e aumentou a diferença sem sofrimento. Luciano e Guerrero completaram a conta.

Méritos de Jadson à parte, uma dose de elogios vai para Danilo. O veterano faz-tudo continua como alternativa valiosa para Tite, a carta a levantar-se do banco de reservas, na hora H. Tem sido assim com regularidade, não foi diferente ontem. Danilo entrou no lugar de Vagner Love e deu outra cara ao time. O Corinthians ficou mais consistente no meio e atrevido, porque o regente abriu espaço, atraiu marcadores, deu passes com toques sutis.

Taí aspecto interessante da sabedoria que a experiência traz. Muitos jogadores de qualidade transformam o futebol em atividade simples, à medida que se aproximam da aposentadoria. Passa o tempo e apuram o estilo. Para citar exemplos aleatórios: Júnior na fase final no Fla, Muller no São Paulo, Evair no Palmeiras. O jogo fica sem mistérios para eles. Com um ou dois toques desmontam esquemas, colocam companheiros na cara do gol, rompem com a mesmice. Danilo entrou nesse bloco, do qual faz parte Zé Roberto, atualmente o decano dos "bons velhinhos".

A vitória foi importante para Tite seguir na série de observações a que se propôs desde o retorno das férias. Embora não me convença a conversa de que não há divisão entre titulares e reservas - "temos um grupo", repete o técnico -, ele tem dado chances seguidas a diversos jogadores com menos minutos em campo. Sempre em nome da busca do ritmo ideal.

Assim, deu para ver Edu Dracena soltar-se mais (mandou uma bola na trave), assim como Cristian e Luciano. Ao contrário de Vagner Love, que aparentemente parece não ter saído do fuso horário da China. Mendoza, na esquerda, deixou espaço para o Mogi atacar, Petros esteve longe do meio-campista ativo de 2014. Enfim, mais dados, estatísticas para a coleção de apontamentos de Tite na trilha do caminho perfeito.

Faltou despertador. O São Paulo foi para Rio Claro com medo do surto de dengue que afeta a cidade e a região. Pelo jeito, a turma tomou tanta precaução contra o mosquito ameaçador que bateu soneira geral. Só assim para explicar a frouxidão que foi o desempenho no empate por 0 a 0 com o Rio Claro. Jogo sem graça, sem emoção. Muricy poderia escolher quase qualquer um para tirar, mas se decidiu por Centurión e Pato, apáticos, além de Michel Bastos, que cansou de correr pelos demais. Apresentação para esquecer.

Cenário lindo. Bonito ver parte da arquibancada do Beira-Rio ilustrado por camisas coloradas e tricolores misturadas. Em campo, o Gre-Nal não foi grande coisa. Valeu pela tentativa de passar a mensagem de paz entre torcidas nos estádios.

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