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Reginaldo Leme
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Jamais perder o foco

Mônaco na semana que vem, Stock Car em Goiânia na outra e, em seguida, GP do Canadá. Só estarei de volta a São Paulo um dia antes do início da Copa. Espero que no pouco tempo que resta algumas das cidades-sede consigam terminar, pelo menos, as reformas em aeroportos. Impossível não lembrar do que ouvi duas semanas atrás de uma atendente do empoeirado, barulhento e inacabado aeroporto mineiro de Confins. A moça me pediu desculpas por toda a bagunça e comentou que em breve estaria ali diante de Zinedine Zidane e David Beckham, satisfeita por ficar frente a frente com os dois, mas morrendo de vergonha. Mesmo fora dos gramados, eles são algumas das grandes estrelas do maior evento esportivo do mundo, que levarão daqui a constatação da chance perdida pelo Brasil de criar uma infraestrutura que, a médio prazo, até justificaria o alto custo da construção ou reforma de estádios.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2014 | 02h04

Três décadas atrás receber uma Copa era mais fácil e as exigências da Fifa, bem mais modestas. A Espanha não teve tanto a fazer para sediar a Copa de 1982, mas já em 1992 os Jogos Olímpicos modificaram profundamente a cidade de Barcelona. Eu estive lá na época das obras, ruas sendo rasgadas para a construção de avenidas, as chamadas "rondas" que uniram bairros dos quatro cantos, aterramento do mar para a construção de apartamentos da vila olímpica numa região onde não existia nada e hoje é uma das mais valorizadas da cidade. Até praias Barcelona ganhou com a derrubada de velhos armazéns inoperantes. Nos dias de hoje, é impossível imaginar Barcelona sem a mobilidade urbana criada para os Jogos Olímpicos. Nós teremos apenas estádios modernos.

Melhor voltar a Barcelona e falar da Fórmula 1, que acaba de sair de lá também com um problema pela frente. Criou-se um novo regulamento, desfez-se uma hegemonia de quatro anos da equipe Red Bull, que terminava as corridas 20 segundos à frente dos adversários e o que se viu até agora foi um domínio tão grande da Mercedes, que na última das cinco vitórias em cinco etapas, cruzou a linha de chegada 49 segundos à frente do primeiro rival. O fato é que na F-1 ganha quem trabalha melhor. Mérito da Mercedes, que passou tempos difíceis, mas acertou até na previsão feita em 2010, quando ingressou no Mundial. Na época, estimou-se em quatro anos o tempo que a equipe levaria para lutar pelo título. No quarto Mundial disputado, foi vice. E no quinto ano disparou na corrida rumo ao grande objetivo.

Se o GP da Espanha teve o oitavo vencedor diferente nos últimos oito anos, já faz quatro corridas que a F-1 tem o mesmo vencedor. O carro da Mercedes é tudo o que Hamilton precisava para voltar a exibir o talento excepcional que andou ofuscado durante a desgastada relação com a sua antiga equipe. Quando trocou a McLaren pela Mercedes, parte da mídia inglesa considerou mais uma maluquice daquele garoto genial e genioso, cujas atitudes levaram o ex-chefe Ron Dennis a expulsar do box as celebridades da música das quais ele não se separava nem durante as corridas. Mas ao acreditar nas promessas do atual chefe Niki Lauda, Hamilton reencontrou o prazer de pilotar e se mostra focado na carreira como raramente se viu. O resultado está aí. Desde que ele saiu da McLaren, em 24 corridas a equipe inglesa não conseguiu mais do que dois pódios. Nesse mesmo tempo, a Mercedes venceu oito vezes e fez 18 pódios.

No atual campeonato não se viu uma única volta de qualquer uma das cinco corridas disputadas que não tivesse sido liderada por um piloto da equipe alemã. Com vantagem para Hamilton (224 voltas) contra Rosberg (66). Na briga entre os construtores, já são 197 pontos, contra 84 da segunda colocada, que é a Red Bull. A grande pergunta é: com toda esta vantagem, existe chance de reação de alguma rival? Ainda faltam 14 corridas e ninguém pode esquecer que a última do ano, em Abu Dabi, terá pontuação em dobro. Mas até nisso Hamilton tem feito a diferença.

Ele é o primeiro a chamar a atenção da equipe para o risco de uma virada. Como se quisesse dar uma sacudida em cada integrante da Mercedes para que, mesmo com as novas vitórias que devem vir, ninguém se permita relaxar antes de pôr a mão na taça.

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