Sophie Kip/AFP
Sophie Kip/AFP

Japão descarta logotipo de Tóquio-2020 após polêmica de plágio

Concurso público será aberto para escolha da nova imagem

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 10h12

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, que já teve de renunciar ao projeto inicial do estádio para conter gastos, decidiu nesta terça-feira que não vai mais utilizar o polêmico logotipo criado pelo designer japonês Kenjiro Sano. O próprio artista estimou que é complicado continuar com a imagem e reconheceu ter usado fotografias de forma inapropriada.

Segundo Toshiro Muto, diretor-geral do Comitê Organizador, a situação fugiu do controle e os próprios cidadãos japoneses passara a não entender direito o que estava acontecendo. "Os especialistas concordaram que o desenho do logotipo era uma criação original. Mas a decisão não tem relação com a denúncia de plágio apresentado pelo criador do logotipo do Teatro de Liége. O Sano solicitou a retirada da imagem, mostrando-se responsável", disse.

A decisão final de retirar o logotipo das ações foi tomada durante uma reunião extraordinária do Comitê. Foram recolhidas assinaturas pedindo para que se trocasse a imagem polêmica. Outro ponto que culminou na mudança foi a implicação da MR_Design, de Sano, em um flagrante delito de cópia de imagens para uma campanha publicitária de uma cervejaria japonesa, a Suntory, que contribuiu para o descrédito do artista.

Tudo começou quando o criador do logotipo do Teatro de Liége, Olivier Debie, acusou em julho seu colega de plágio. As imagens são bem parecidas. Sano tentou provar que não teve má-fé ao mostrar diagramas e outros documentos que pretendiam mostrar o caminho para a criação do logotipo de Tóquio-2020. Mas o belga levou o caso à Justiça de seu país e o tribunal civil deve se pronunciar até 22 de setembro.

Em um primeiro momento, o Comitê Organizador dos Jogos apoiou o artista e disse que não via qualquer problema. Agora, com a renúncia de usar o polêmico logotipo, os organizadores já projetam lançar um segundo concurso para a escolha do novo emblema.

O escândalo do logotipo se soma ao do estádio olímpico, onde o governo decidiu começar do zero e lançar um novo concurso após os protestos contra os altos custos do primeiro projeto. Inicialmente, o estádio custaria US$ 1,35 bilhão, mas o custo acabou subindo para US$ 2,1 bilhões. Depois disso, Tóquio-2020 abrirá uma nova licitação e espera bater o martelo até o final do ano.

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