Japão tem arma para bater Riner nos Jogos Olímpicos de 2016

Ryu Shichinohe, batido na final do Mundial, semana passada, é a grande sombra do fenômeno francês sete vezes campeão mundial

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2014 | 17h52

Filho de uma belga com um astro do caratê japonês, Ryu Shichinohe tem a missão quase impossível de derrotar Teddy Riner, atual heptacampeão mundial e campeão olímpico da categoria dos pesos pesados. Sábado passado, em Chelyabinsk, na Rússia, o japonês quase acabou com uma invencibilidade de quatro anos do fenômeno francês.

Mas o objetivo traçado por Kosei Inoue, técnico responsável pela seleção japonesa, é que Shichinohe seja campeão no Rio, em 2016, e leve de volta para o Japão a medalha olímpica de ouro. “O mais importante foi perceber que ele não é perfeito”, afirmou Shichinohe, referindo-se ao golpe desferido a 39 segundos do fim da luta, que quase lhe valeu o título.

GEESEINK

A cada derrota para Riner, os japoneses sentem uma dor semelhante à de 50 anos atrás, quando o holandês Anton Geesink venceu os Mundiais de 1961 e 1964 e Olimpíada de 1964, em Tóquio, tornando-se o primeiro não japonês a ganhar títulos entre os pesados.

Além do Mundial da Rússia, Shichinohe foi derrotado por Riner em fevereiro do ano passado, no Grand Slam de Paris, em apenas 39 segundos de luta. "Estamos arquitetando uma forma de luta e causando preocupações para o adversário", disse o técnico Inoue, que substituiu Shinichi Shinohara, após o fracasso japonês nos Jogos de Londres, quando o Japão não subiu ao pódio em nenhuma categoria.

Shichinohe parece predestinado. Na infância, treinou judô e também caratê, afinal seu pai, Yasuhiro Shichinohe, foi um ícone do Kyokushin, o estilo mais violento do caratê e de grande sucesso nos anos 70 e 80. Aos 13 anos, resolveu se dedicar integralmente ao judô.

Shichinohe quebrou um jejum de quase uma década sem um pesado do Japão subir ao pódio em Mundiais. O último fora Yasuyuki Muneta, prata, em 2005. E mais: liderou a equipe japonesa na heroica vitória sobre a Rússia na final da disputa por equipes, quando o triunfo foi obtido por 3 a 2, de virada.

Shichinohe está sendo formado aos moldes de Riner. Engenheiro Elétrico formado na Universidade de Fukuoka, Shichinohe, que nasceu em Okinawa, mudou-se para Tóquio em maio, onde passou a ter condições de treinar nas principais academias de judô do país. Com 115 quilos distribuídos em 1,93 metro de altura, o japonês se assemelha ao físico esbelto do francês, que apresenta 130 quilos em 2,04 metros.

Os atuais combates envolvendo os judocas mais fortes do mundo ganham um estilo diferente com a chegada de Riner e Shichinohe. Poucos são os lutadores "gorduchos" a terem sucesso. O brasileiro Rafael Silva, bronze no Mundial e em Londres, é um dos poucos a se manter em evidência. Até a Rússia prepara Aslan Kambiev para ter mais músculos e menos gordura. A intenção é ter velocidade semelhante à apresentada pelo até agora invencível Riner.

Até o Rio, Shichinohe tem mais dois anos de treinamento. Kosei Inoue não pretende colocar seu pupilo em muitas competições. "Já sabemos como vencer Riner. Ele que nos espere."

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