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Japoneses têm segredo para o Rio 2016: as câmaras hiperbáricas

Médicos já estiveram no Brasil avaliando clínicas para Olimpíada

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2015 | 10h00

Atualizado às 11h52

Faltando menos de um ano para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, os japoneses já têm sua arma secreta para que nenhum atleta de sua delegação sofra mais do que o necessário com uma possível lesão. Nem tão desconhecida assim, já que a técnica foi usada durante a Copa do Mundo em 2014, as câmaras hiperbáricas aumentam a pressão para 3 atm (quando a nível do mar a pressão atmosférica seria 1 atm) e dá ao atleta uma grande quantidade de oxigênio puro, até cinco vezes mais que o consumo normal, acelerando a recuperação de lesões musculares. 

A técnica faz sucesso entre alguns atletas há alguns anos. Nomes como o tenista Novak Djokovik e o nadador Michael Phelps usam as câmaras para acelerar sua recuperação. Com sessões que chegam no máximo até 3h em ambientes fechados e isolados, acelera a produção de células satélites e a maturação de fibras musculares. Com isso é possível reduzir em até 1/4 o tempo que o paciente fica parado.

"Falam que o tratamento hiperbárico é muito caro. E realmente aqui no Brasil é caro, o preço do oxigênio aqui no Brasil é caro, ao contrário de no Japão ou  nos Estados Unidos, que custa menos do que a água do hospital. Mas quanto custa um atleta profissional 10 dias no banco? Se você tira 10 dias da recuperação dele dá paga o tratamento do time inteiro", brinca o Drº Camilo Saraiva, um dos responsáveis por difundir a técnica no País. No último ano, ele recebeu em suas clínicas no interior de São Paulo o médico Kazuyoshi Yagista, "papa" das câmaras hiperbáricas e um dos responsáveis pela aplicação nos atletas japoneses, para avaliar as condições das câmaras brasileiras caso os jogadores da seleção do Japão precisassem durante a Copa do Mundo. 

"Ele mostrou a ressonância da lesão da coxa de um jogador de futebol que tinha uma contusão grave, lesão muscular grau 3. Esse edema geralmente iria se resolver em 15 dias com fisioterapia e todos os tratamentos. E ele reduziu em 40% esses edema em 3 ou 4 dias com uma sessão de hiperbárica por dia. Isso é uma melhora brutal", conta o Drª Saraiva.

Na mesma ocasião, o Drº Yagista visitou a cidade do Rio de Janeiro para avaliar clínicas na cidade visando a Olimpíada. Caso algum atleta da delegação japonesa precise, já há locais de tratamento preparados para acelerar a recuperação do atleta. 

"Para nós aqui é algo ainda muito incipiente, mas o Drº Yagista tratou só no ano de 2013 mais de seis mil sessões, quase sete mil, em 1300 atletas de diferentes modalidades. E isto só no serviço dele na Universidade de Tóquio. Somando tudo aqui no Brasil não deve ter nem 100 sessões de hiperbárica para atletas no País", explica o Drº Saraiva. Entre os pioneiros no esporte, está o Sport Recife, que utilizou a técnica para tentar recuperar mais rapidamente o atacante Maikon Leite, ex-Palmeiras. Outras delegações também devem utilizar  as câmeras em 2016, como os Estados Unidos, Rússia e Itália.

Mesmo incipiente, é possível que os atletas brasileiros passem a usufruir dos mesmos benefícios de esportistas de outros países, segundo o Drº Camilo: "A comunidade de hiperbárica é pequena no Brasil. Nos EUA tem beirando 1200 clínicas e no Brasil temos aproximadamente 300. Mas todo mundo está bem envolvido, com muita vontade e de braços abertos para qualquer tratamento de atletas. Pena que ninguém usa".

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