Joanna Maranhão desfila em carro aberto

Simples, tranqüila, a nadadora pernambucana Joanna Maranhão, que chegou a duas finais na Olimpíada de Atenas, assustou-se com a recepção no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, no Recife, onde desembarcou por volta das 13 horas de hoje. "A festa é muito grande, nunca imaginei isso", afirmou ela, em meio a faixas, gritos e tumulto, quando era levada direto para um carro de bombeiros que a aguardava para um desfile em carro aberto até a escola onde estuda, no bairro do Espinheiro. A carreata foi acompanhada da frevioca (carro que transporta uma orquestra de frevo), amigos, colegas, familiares. Em entrevista coletiva, na escola, ela afirmou estar consciente da responsabilidade de ter disputado duas finais em Atenas, mas não se envaidece por ter quebrado um jejum de 56 anos na natação feminina brasileira - que desde 1948 não tinha uma nadadora numa final olímpica. Frisou que todos - técnico, familiares - foram importantes para o seu desempenho e evitou falar sobre uma possível ida aos Estados Unidos para desenvolver sua técnica. Ela confessou que não suportaria mais tempo o regime de treinos a que se submeteu nos últimos meses. "Nunca trabalhei tanto na vida, nadava diariamente 14 mil metros", afirmou ela, sem se arrepender." O esforço valeu a pena". Joanna destacou que ficava mais nervosa nas disputas no Brasil do que em Atenas, onde ninguém a conhecia e ela não se sentia pressionada por expectativas. Para não perder o Vestibular para Educação Física, no final do ano, Joanna, 17 anos, deverá ter aulas de reforço - desde abril deixou de freqüentar as aulas. O seu técnico, Nuno Trigueiro, informou que ela deverá recomeçar os treinos ainda amanhã, visando ao troféu José Finkel, que será disputado entre 7 e 12 de setembro, em Santos (SP). Um bom desempenho é importante para a participação no Mundial de Indianápolis (Estados Unidos) de 7 a 10 de outubro. Trigueiro e a mãe de Joanna, Tereza Maranhão, apostam na capacidade da nadadora de trazer uma medalha olímpica de Pequim, daqui a quatro anos, caso ela mantenha a determinação e dedicação. Joanna ficou em quinto lugar na final individual dos 400 metros Medley e em sétimo no revezamento 4 x 200 metros livres, além de ter batido o recorde brasileiro e sul-americano nos 200 metros Medley (categoria em que disputou a semifinal).

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