Joanna Maranhão: é hora dos resultados

Disputando sua terceira Olimpíada, a nadadora pernambucana diz estar preparada para ter seu grande momento

WILSON BALDINI JR. , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h05

Joanna Maranhão está em Londres para a sua terceira participação em olimpíadas. Em Atenas/2004, aos 17 anos, obteve o melhor resultado na natação feminina brasileira com o quinto lugar na final dos 400 metros medley. Passados oito anos, a nadadora, que vai competir na Olimpíada de Londres na prova dos 400 metros medley (quatro estilos), diz estar pronta para obter um grande resultado, mas gostaria de ter sido mais exigida durante os treinamentos e competições nacionais nos últimos anos.

"É fascinante completar três ciclos olímpicos e viver novamente esta emoção. Nunca amei tanto poder estar treinando e competindo. Mas é preciso fazer um trabalho de renovação para se conseguir um número maior de praticantes na natação brasileira", disse a recifense, de 25 anos, em entrevista ontem à tarde, nas dependências do clube Crystal Palace, em Londres.

Joanna revelou que é obrigada a "brigar" contra a acomodação durante seus treinamentos pela falta de adversárias mais fortes que poderiam fazer com que ela tivesse de imprimir um ritmo maior em suas apresentações. "Não tenho rivais no Brasil e isso não é nada bom para mim. Às vezes acabo não buscando uma marca melhor, pois sei que a vitória vai acabar ocorrendo de qualquer modo."

A cinco dias da abertura dos Jogos Olímpicos, a atleta pernambucana aproveitou para dar um conselho às jovens nadadoras brasileiras. "Gostaria que todas tivessem menos respeito por mim na hora de nos enfrentarmos e também que tenham mais entusiasmo nas provas. Só desta forma todas nós poderemos aumentar nosso nível de competição", reclamou. Joanna preferiu nem comentar o desempenho do time feminino com o do masculino. "Historicamente, os homens sempre tiveram melhores resultados", avaliou.

Membros da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos vão se reunir logo após os Jogos de Londres para por em prática um projeto que visa incentivar jovens talentos para um treinamento mais específico, visando a disputa da Olimpíada do Rio, em 2016.

Fabíola Molina, que aos 37 anos, também vai para a sua terceira Olimpíada, deu o exemplo da seletiva olímpica americana, que recentemente reuniu nada menos que 1.800 atletas. "Não estou comparando os dois países, apenas mostrando como se pode fazer um trabalho de expansão de um esporte", disse a nadadora dos 100 metros costas, que completa 20 anos competindo pela seleção brasileira.

Incentivo. Joanna Maranhão é namorada do judoca Luciano Corrêa, peso pesado olímpico, que também vai competir em Londres. A nadadora revelou que o relacionamento ajuda na rotina dos treinamentos. "É muito bom, pois nós dois sabemos como é a vida de um atleta", explicou. "A gente vai treinar junto, comenta os treinamentos e acaba dando um incentivo maior na hora de levantar de manhã e encarar os desgastantes treinamentos diários."

A técnica Rosane Garcia também recebeu elogios entusiasmados de Joanna. "Acho que o mais importante é quando o técnico fala e você faz sem contestar."

E ela sigue todas as orientações da Rosana pois a considera a melhor técnica do Brasil.

NATAÇÃO

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