Joanna Maranhão volta e diz ter superado caso de abuso

Nadadora desembarca em Recife e tenta colocar um ponto final no caso em que foi vítima de um ex-treinador

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2008 | 20h35

A nadadora Joanna Maranhão desembarcou nesta segunda-feira em Recife, depois de passar um período treinando na França, e tentou colocar um ponto final na polêmica que causou na semana passada, quando revelou ter sido molestada sexualmente por um ex-treinador na época que tinha nove anos. "Espero que vocês [jornalistas] vejam isso como uma coisa que passou, que superei. Estou seguindo em frente, não quero fazer nenhum drama e nenhuma novela em cima disso", afirmou a jovem atleta de 20 anos. Joanna lembrou que a revelação do abuso sexual aconteceu durante uma longa entrevista (para a Gazeta Esportiva), em que falou sobre toda a sua carreira. "É lamentável que a imprensa esteja se apegando só a este fato", disse a nadadora, garantindo que não irá revelar o nome do ex-técnico que a teria molestado. "Quando achar devido e se achar que devo ir na Justiça, então falo o nome dele, para a justiça." Segundo Joanna, a sua intenção ao abordar o assunto foi a de alertar os pais para este tipo de problema. "A criança tem que estar bem amparada pelos pais desde o início e isso eu tive. Meus pais nunca foram omissos em nada", lembrou a atleta. "A única coisa é que a minha mãe trabalhava muito e eu ficava muito com ele [o ex-técnico a quem acusa]. Ele é que me levava para o treino, ele que cuidava de mim, foi uma confiança." "Nesse mundo tão difícil, os pais têm que trabalhar muito para sustentar os filhos, os gastos são altos, mas acho que eles têm que estar um pouco mais presentes, a relação tem que ser mais aberta", revelou Joanna, que admitiu que chegou a pensar em abandonar a carreira. Mas, depois de dois anos de terapia, superou o problema. "Fui lembrando de vários fatos que aconteceram e que eu não lembrava e isso lógico que mexe", afirmou Joanna, ao falar dos dois anos de terapia que fez, em 2005 e 2006, quando entendeu que precisava digerir tudo o que havia reprimido para seguir em frente. "Isso afetou não só o meu esporte, mas os meus estudos, o meu namoro, a relação com a família." Agora, Joanna garantiu que só pensa em voltar a brilhar nas piscinas, assim como fez na Olimpíada de Atenas, em 2004, quando terminou em quinto lugar na prova dos 400 metros medley. Por isso mesmo, bancou por conta própria a preparação na França, onde passou três semanas treinando. Alvo de críticas em comunidades na internet por conta da denúncia feita na semana passada, Joanna explicou que está concentrada apenas na busca pelo índice para os Jogos Olímpicos de Pequim. "Quem não quiser entender o problema que não entenda", desabafou a nadadora. "Quanto mais pessoas dizem que eu não vou conseguir o índice, mais gana eu tenho para fazer a calar a boca de muita gente." FAMÍLIANo desembarque desta segunda-feira em Recife, Joanna foi recebida pela mãe, Teresinha Maranhão, o namorado, Sérgio Franco, e o seu técnico, Nikita. Nikita, que é treinador de Joanna desde 2000, admitiu que já sabia do caso de abuso sexual, mas garantiu que isso não irá interferir no desempenho da atleta. Para Teresinha, a revelação da filha "foi um desabafo, aconteceu".  A volta para casa de Joanna foi bastante emocionante, por causa da morte do tio da nadadora, Sérgio Maranhão, de quem ela era muito próxima. Depois de passar 34 dias internado na UTI, Sérgio morreu na última quinta-feira, aos 53 anos. Antes de morrer, no entanto, ele ditou uma carta para Joanna em que estimula a sobrinha e diz acreditar na capacidade dela para conseguir o índice olímpico.

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