Rui Pedro Godinho/Divulgação
Rui Pedro Godinho/Divulgação

João Victor Marcari Oliva cresce como cavaleiro e criador

Filho de Hortência representa o Brasil na final da Copa do Mundo de Adestramento

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 07h01

Depois de vivenciar a primeira experiência olímpica, João Victor Oliva Marcari enfrenta mais um desafio importante na carreira: é o único brasileiro na final da Copa do Mundo de Adestramento em Ohama, nos Estados Unidos. E o filho da ex-jogadora de basquete Hortência não está focado apenas no resultado: "Espero fazer uma apresentação que mostre minha montaria para o mundo inteiro".

Com o puro sangue lusitano Xamã dos Pinhais, o atleta estreia nesta quinta-feira, às 16 horas (horário de Brasília), em prova que habilita os melhores resultados para o Grand Prix Freestyle - disputa com coreografia livre e música -, marcada para sábado. Para um bom desempenho, João Victor sabe que o vínculo entre cavalo e cavaleiro é fundamental.

E é a paixão pelo animal que rege sua vida desde a infância em Araçoiaba da Serra, no haras da família. Aos 21 anos, João Victor vive na Alemanha desde 2014, sob a orientação do renomado treinador Norbert van Laak. Isso não quer dizer que esqueceu suas origens. Fã de música sertaneja de raiz - como Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho, Matogrosso e Mathias -, o atleta se mantém fiel ao jeito caipira. 

"Prefiro o campo, sossego e meus cavalos por perto", conta o atleta, que reconhece que não puxou esse lado do pai, o empresário da noite José Victor Oliva. Mas o patriarca é a sua principal influência como criador de animais. "Meu pai já criava cavalos antes do meu nascimento, agora estou apenas seguindo com o que ele começou. Tudo que sei e que sou é mérito dele, pois é meu patrocinador mais importante, e apaixonado por cavalos", exalta.

São cerca de 90 cavalos - das raças warmblood e puro-sangue lusitano - em solo brasileiro. Ajudar no intercâmbio entre criadores locais e alemães também está entre os seus planos, mas o cavaleiro reconhece que diversos fatores dificultam essa ligação entre os países. Um deles é o mormo, doença infecto-contagiosa e letal de equinos, que fez a Europa proibir a entrada de cavalos vindos do Brasil, exigindo uma quarentena para a liberação.

Para ser bem-sucedido nesse mercado, João Victor vê o conhecimento como imprescindível. "É importante para a evolução dos cavalos, com o objetivo de criar animais que forneçam qualidade, força e submissão necessária para competir em alto nível futuramente." E no caso dele a instrução veio com experiência. "Tudo o que sei vem da prática e da história dos cavalos. Penso em estudar, mas fica difícil focar em duas coisas com o treinamento intensivo", conta. 

A carreira esportiva é a prioridade do jovem cavaleiro, e a inspiração nesse sentido vem da mãe. Ser chamado constantemente de 'filho da Hortência' não é algo que lhe incomode. "Tenho orgulho em ser filho da rainha do basquete. Procuro tentar ser, no meu esporte, o que ela foi no dela", afirma. O hipismo permite uma trajetória longeva, e, aos 21 anos, reconhece que ainda está distante do auge. Os objetivos, por outro lado, já estão bem delineados em sua mente: "Espero aprender o máximo que puder para, no futuro, ser um grande cavaleiro, ensinar muitos cavalos, vendê-los ou competir com eles". 

 

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