Joaquim Cruz volta com novo pique

Uma vez Joaquim Cruz ouviu de alguém que tinha nascido para o esporte. Garoto, tinha dificuldade para entender o exato significado da afirmação. Hoje tem a certeza: nasceu para o esporte. Aos 38 anos, acha que cometeu um "grande erro" ao anunciar a aposentadoria. O campeão olímpico nos 800 metros nos Jogos de Los Angeles, em 1984, e medalha de prata em Seul, em 1988, não compete mais - deu adeus aos fãs após a Olimpíada de Atlanta, em 1996. Mas não se afastou do atletismo e ainda "abre o leque" ao atuar com outros esportes.Magro e alto, o ex-jogador de basquete que optou pelo atletismo - foi especialista nos 800 e 1.500 metros -, confirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que está muito envolvido com esporte. Além de dirigir um grupo do atletismo, de vários países e provas, na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), de ser o consultor-técnico da equipe brasileira BM&F, orienta triatletas e o condicionamento físico de jovens do tênis e futebol. Garante que ainda não aprendeu a ganhar dinheiro, mas tem muito trabalho, em San Diego, nos Estados Unidos, onde vive com a mulher Mary e os filhos Kevin, de 8 anos, e Paulo, de 5, e também no Brasil.Está estimulado com os novos desafios, especialmente com os triatletas. Joaquim Cruz foi procurado por Micheline Jones, medalha de prata nos Jogos de Sydney, em 2000. "Queria fazer um trabalho de coordenação e velocidade. Os triatletas sofrem demais com a alteração biomecânica entre o ciclismo e a corrida. O mais difícil foi criar um treino que não maltrate ainda mais esses atletas e tenha a eficiência na corrida que buscam."Michele foi trazendo os colegas e Joaquim ajuda na preparação de dez triatletas. Joaquim veio a São Paulo para participar da reunião da Comissão de Atletas da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Mas antes passou por Brasília - nasceu na cidade satélite de Taguatinga e não esquece da infância. Trouxe a mala cheia de tênis usados - doações para o Clube dos Descalços, os meninos de Brasília, candidatos a futuros corredores. Joaquim também assinou uma parceria com o Corpo de Bombeiros para que os 40 atletas que orienta, dos 7 aos 42 anos, "espalhados por Brasília", tenham onde treinar.É trabalho voluntário - Joaquim "planeja" os treinos, escreve e manda. As orientações chegam aos corredores, através de líderes de comunidades. Os tênis usados (doações de lojas de duas redes especializadas nos Estados Unidos) são um chamariz para atrair meninos para o projeto. "Eu ?compro? o garoto de rua com um par de tênis. Ele volta para a comunidade com aquele tênis bonito e provoca a inveja dos outros meninos. Diz que tem mais onde conseguiu aquele, mas para ganhar é preciso correr, treinar."

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2002 | 19h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.