Joel e Dunga: o reencontro

Treinador da África do Sul já comandou o técnico da seleção brasileira nos tempos de Vasco

Luiz Antônio Prosperi e Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

Em 1987, Dunga usava uma vasta cabeleira aos estilo dos Menudos, grupo musical porto-riquenho de enorme sucesso nos anos 80. Joel Santana cultivava um bigodão. Dunga era jogador de Joel, treinador do Vasco. Depois de pouco mais de 20 anos, os dois têm um encontro marcado para hoje no Ellis Park, em Johannesburgo. Só um deles seguirá adiante.Dunga, hoje, é mais importante do que Joel. Dirige a seleção dona de cinco títulos mundiais. Também brasileiro, Joel está ameaçado no cargo da modesta África do Sul. Eles mudaram de fisionomia. O treinador da seleção perdeu parte dos cabelos e, suspeita-se, teria feito um implante. O técnico dos sul-africanos raspou o bigode e as bochechas estão mais inchadas.No campo, Dunga foi campeão do mundo em 1994. Joel serviu a seleção, mas não emplacou. "Ele jogou mais mesmo. Foi campeão do mundo e eu não fui. Chegou onde não pude chegar. Mas eu também posso dizer que, como treinador, não tenho um currículo, tenho um testamento. Esse tipo de comparação não quer dizer nada." Se evita comparar os feitos de cada um, Joel não deixa de reconhecer que seu ex-pupilo leva uma grande vantagem no jogo de hoje, valendo vaga na final da Copa das Confederações."Se te derem uma Ferrari e te derem um outro carro que está mal, qual você vai dirigir melhor? Claro que vai ser uma Ferrari, né? Quando você tem jogadores de qualidade é mais fácil que ele absorva o que você quer", ensina Joel Santana. "Mas vamos deixar de comparações, o mais importante é que temos dois técnicos brasileiros em uma semifinal de um torneio desta importância." Do seu lado, sabendo que é o favorito no duelo com seu "ex-professor", o treinador da seleção brasileira tem absoluta certeza de que Joel vai armar alguma cilada. "Ele trabalhou comigo no Vasco, era tranquilo. Sabe o que faz, tem uma forma especial de lidar com os jogadores. Sempre tenta tirar algo de positivo dos atletas."Antes do confronto, pelo menos em um momento os dois vão estar juntos: na hora da execução do Hino Nacional do Brasil.

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