Jogada de marketing nasce de ''papo de louco''

Clube buscava um nome de impacto para agitar o elenco

Anelso Paixão e Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

De rebaixado no fim de 2007 e com destaque até nas páginas de noticiário de polícia, o Corinthians mudou radicalmente sua imagem em menos de um ano. A contratação de Ronaldo é mais uma etapa de trabalho de recuperação que vem sendo desenvolvido desde o maior vexame da história do clube: o rebaixamento. Antes de acertar com o Fenômeno, o departamento de marketing já havia surpreendido com outras ações bem-sucedidas, como a camisa roxa, a campanha "Eu nunca vou te abandonar" e a camisa do acesso, com o rosto dos torcedores (embora, neste caso, não tenha vendido todas as cotas disponíveis).A tarefa de reconstruir a marca Corinthians fica a cargo de Luiz Paulo Rosenberg, diretor de marketing e convidado para o cargo assim que Andrés Sanchez assumiu a presidência em 2007. Em um ano, o clube lançou seis diferentes modelos de camisa, um filme sobre a volta à Série A, um livro de fotos sobre o mesmo tema, TV via internet (não foi bem-sucedida) e o programa Fiel Torcedor. Resultado: lucro de cerca de R$ 4 milhões. Ainda pouco para um clube que tinha dívidas de R$ 110 milhões, agora em R$ 90 milhões.Na busca por ações de impacto surgiu a idéia de contratar Ronaldo. De acordo com Caio Campos, gerente de marketing, a primeira vez que se comentou o nome do craque foi em bate-papo no escritório de Rosenberg. "O Luiz Paulo disse que era fã do Ronaldo e que seria um sonho, um dia, tê-lo no Corinthians", conta Campos.Seis dias mais tarde, Campos esteve na sala do presidente do clube, Andrés Sanchez, e ouviu do dirigente: "Precisamos de um grande jogador para o ano que vem e eu estava aqui pensando se não poderia ser o Ronaldo." Ao ouvir isso, Campos reagiu com ironia e desconfiança. "Você é tão louco quanto o Luiz Paulo!"Começava naquela "conversa de loucos" o projeto para a contratação do Fenômeno. O clube parece não temer o risco. O investimento de R$ 6 milhões por um ano de salários deve ser recuperado com ações de marketing em gestação para 2009, quando o Corinthians aceita freqüentar páginas de Economia dos jornais, não mais as de Polícia.

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