Jogadoras da seleção dos EUA conseguem novo acordo financeiro com federação

Dados do contrato não foram divulgados, mas é certo que atletas receberam aumentos

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2017 | 16h06

Em um momento no qual as mulheres ganham cada vez mais voz na luta pela igualdade de gêneros, as jogadoras de futebol dos Estados Unidos deram um passo importante em busca deste objetivo nesta quarta-feira. A seleção feminina norte-americana assinou um novo e mais vantajoso contrato financeiro de trabalho com a U.S. Soccer, órgão responsável pela modalidade no país, após uma luta que vinha desde o ano passado.

O novo acordo foi anunciado em conjunto através de um comunicado publicado tanto pela U.S. Soccer quanto pela Associação de Jogadoras da Seleção Feminina dos Estados Unidos (USWNTPA, na sigla em inglês). "Estamos orgulhosos do trabalho duro e do compromisso com um diálogo reflexivo através deste processo, e esperamos fortalecer nossa parceria no futuro", disseram.

Os dados do contrato não foram divulgados, mas é certo que as jogadoras da seleção receberam aumentos nos valores dos pagamentos bases e dos bônus por objetivos alcançados, além de melhores estruturas para viagens e acomodações. O novo acordo tem duração até 2021, o que significa que estará vigente durante as disputas da Copa do Mundo de 2019, na França, e da Olimpíada de 2020, em Tóquio.

"Enquanto acredito que ainda há muito progresso a ser feito por nós e pelas mulheres no geral, acho que a USWNTPA deveria estar muito orgulhosa deste acordo e se sentindo poderosa para seguir em frente", declarou a meia Megan Rapinoe, uma das articuladoras do movimento que exigiu melhores condições da federação.

Há um ano, cinco das principais jogadoras dos Estados Unidos anunciaram que estavam entrando com uma ação contra a U.S. Soccer por discriminação e exigindo maior remuneração da entidade. Na época, Rapinoe, Carli Lloyd, Rebecca Sauerbrunn, Hope Solo e Alex Morgan contaram com o apoio da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC, na sigla em inglês), órgão norte-americano que luta contra a discriminação trabalhista.

A ação levava em conta os valores obtidos pela U.S. Soccer em 2015. De acordo com os documentos levantados pelas jogadoras, a seleção feminina dos Estados Unidos gerou US$ 20 milhões a mais em receita que a masculina naquele ano. Ainda assim, as mulheres receberam da entidade uma quantia bem inferior aos homens.

As atletas chegaram a ameaçar entrar em greve e não mais defender as cores da seleção norte-americana, mas uma juíza federal entendeu em junho do ano passado que uma cláusula do antigo acordo entre jogadoras e a U.S. Soccer impedia que elas utilizassem tal artifício.

Não houve qualquer decisão legal em relação ao processo movido pelas jogadoras, e elas vinham atuando sob as cláusulas do antigo acordo, que terminou em dezembro do ano passado. Mas, após muitas conversas, as partes entraram em consenso e o novo contrato foi assinado.

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