Jogadores só pensam no jogo da Libertadores Ney Franco diz que não vai admitir novas reclamações

O técnico são-paulino mandou ontem um recado direto a Ganso e Lúcio. Os dois saíram de campo insatisfeitos após serem substituídos nos dois jogos anteriores, contra o Palmeiras e Arsenal de Sarandi.

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h05

"Tivemos casos de reclamação por causa de substituições e conversei sobre isso com o time. Não admito que o jogador não aceite ser substituído. Se isso acontecer de novo, esse jogador não joga mais pelo São Paulo", afirmou Ney Franco. "Ninguém tem cadeira cativa na equipe."

Ganso saiu durante o clássico contra o Palmeiras e ao chegar no banco, jogou uma garrafa d'água no chão, visivelmente contrariado. Dias depois, na Argentina, Lúcio saiu de campo durante o jogo contra o Arsenal, ficou pouco tempo no banco de reservas e depois foi para o vestiário. De lá, recusou-se a ver o jogo e seguiu direto para o ônibus, onde aguardou o restante do elenco.

A declaração do treinador em tom de ameaça aos dois atletas mostra como o clima está tenso. A campanha ruim na Libertadores fez Ney Franco trocar o ar suave nas respostas pela irritação. Antes de o jogo com o Oeste começar, ao ser perguntado sobre não ter escalado Ganso como titular, o técnico respondeu de forma irônica: "É que hoje (ontem) está chovendo."

Ontem nem Ganso nem Lúcio atuaram. O meia ficou no banco a partida inteira e teve o nome pedido pela torcida durante o segundo tempo. Já Lúcio cumpria suspensão por ter sido expulso contra o Palmeiras.

Ney Franco fez questão de explicar que apesar dos descontentamentos o elenco continua ao seu lado, assim como a diretoria. O treinador contou que se reuniu nos últimos dias com o presidente Juvenal Juvêncio, e ouviu dele a garantia de que tem o seu total apoio.

O São Paulo só pensa no dia 4 de abril, quando joga as últimas fichas na Libertadores em La Paz contra o The Strongest. Por isso mesmo, qualquer discussão sobre o jogo de ontem acabou sendo secundária. "Vamos fazer ajustes até essa partida e é interessante termos esse tempo para trabalhar", comentou o técnico, que reconheceu a fraca atuação da equipe ontem. C.C.

O calendário são-paulino ainda tem quatro jogos até o fim do mês, mas a cabeça dos jogadores está no confronto decisivo contra o The Strongest, pela Libertadores, no dia 4 de abril. O Campeonato Paulista parece ter ficado de vez em segundo plano. Nem mesmo a liderança impediu a equipe de sair vaiada do Morumbi.

"Queria que já fosse o dia 4, mas não é. Vamos ter de jogar ainda algumas vezes pelo Campeonato Paulista para adquirir confiança e conviver com a insatisfação momentânea", admitiu o goleiro Rogério Ceni.

Antes do esperado confronto na altitude da capital boliviana, o time enfrentará São Bernardo, Bragantino, Paulista e por fim faz o clássico com o Corinthians no Morumbi.

"Nosso momento na Libertadores não é legal, mas temos duas partidas para conseguir revertê-lo e se fizermos isso tudo vai voltar à normalidade", disse o atacante Luis Fabiano, que voltou ontem ao time após cumprir suspensão contra o Arsenal.

O artilheiro contou que não comemorou o gol em sinal de protesto. "Ouvi certas coisas dentro de campo que me deixaram insatisfeito", disse, sem dar mais detalhes. /C.C.

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